Rio de Janeiro, 23 de Abril de 2026

Ativistas pedem novo inquérito para abusos no Iraque

Quinta, 16 de Fevereiro de 2006 às 09:10, por: CdB

Grupos de defesa de liberdade civil nos Estados Unidos estão exigindo um inquérito para apurar o tratamento de detentos em Abu Ghraib, depois da divulgação de supostos novos abusos na prisão iraquiana. Ativistas afirmam esperar que a publicação de novas imagens vai estimular ação governamental contra oficiais de alto escalão responsáveis pelas políticas na prisão. O governo norte-americano afirmou que as imagens não deveriam ter sido divulgadas e podem incitar violência. A televisão australiana mostrou na quarta-feira novas imagens de supostos abusos na prisão de Abu Ghraib em 2003.

As imagens mostradas pela SBS TV teriam a mesma origem das que causaram escândalo em todo o mundo. Elas mostram "homicídios, tortura e humilhação sexual", segundo a SBS.
Mike Carey, da rede australiana de tv, disse à agência de notìcias BBC que as imagens divulgadas na quarta-feira seriam ainda mais sérias do que as divulgadas anteriormente.

O correspondente da BBC em Washington, James Coomarasamy, disse que parece haver pouca vontade política e pouco apetite do público para que a ferida seja reaberta. As imagens estão tendo menos proeminência na mídia americana do que no resto do mundo. John Bellinger, assessor jurídico do Departamento de Estado norte-americano, disse que seria melhor se as fotos não tivessem sido divulgadas.

- Não que tenhamos algo a esconder, mas porque sentimos que é uma invasão de privacidade das pessoas que estão nas fotos -  justificou Bellinger.

Para ele, as imagens mostram uma "conduta completamente repugnante" que podem causar mais violência em todo o mundo. O porta-voz do Pentágono, Bryan Whitman, acrescentou que centenas de soldados norte-americanos foram processados por abusos, incluindo 25 em Abu Ghraib. Um oficial do Pentágono que quis se manter anônimo, confirmou à agência AFP que as imagens mostradas na quarta-feira são autênticas.

- Não há nada de novo aqui -  teria dito o oficial, para quem as imagens "foram investigadas previamente".

Elas seriam parte de mais de 100 fotos e vídeos tiradas na prisão e entregues depois à Divisão de Investigações Criminais dos Estados Unidos. A divulgação das novas imagens acontecem em um momento de tensão entre nações muçulmanas e o ocidente em torno das charges satirizando o profeta Maomé. Analistas afirmam que a reação no mundo muçulmano vai depender da extensão com que elas forem mostradas no mundo árabe.

No Iraque, a revelação das fotos se segue à divulgação de um vídeo mostrando soldados britânicos batendo em civis iraquianos. Um dos vídeos mostrados no programa australiano Dateline, mostra supostos prisioneiros sendo obrigados a se masturbar para a câmera. Outro vídeo mostra um priosioneiro batendo a cabeça contra uma parede. Segundo o canal SBS, o homem teria distúrbios psiquiátricos e teria se tornado um brinquedo para os guardas.

Algumas fotos mostrariam corpos. Há ainda imagens de prisioneiros com ferimentos no corpo e na cabeça. Algumas das imagens foram mostradas em redes de televisão norte-americanas e em canais árabes via satélite, como a al-Arabiya e a al-Jazeera.

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