Mais um barco com ajuda humanitária tentará furar o bloqueio à Faixa de Gaza depois de militares israelenses atacarem uma frota que seguia para o território palestino. Segundo Greta Berlin, porta-voz do Movimento Gaza Livre, que foi um dos organizadores da viagem trágica, a embarcação que partiu de Malta, na segunda-feira, com 15 passageiros, deve chegar a Gaza no fim desta semana. Israel se prepara para interceptá-la. Integrantes da frota atacada começaram a ser deportados e contaram como foi o ataque, denunciando que soldados usaram armas de fogo e choques elétricos. Um oficial da Marinha disse ao jornal "Jerusalem Post" que da próxima vez os militares usariam mais força.
- Essa iniciativa não vai parar - disse a porta-voz do Movimento Gaza Livre. - Nós achamos que possivelmente Israel terá algum tipo de bom senso. Eles terão que parar com o bloqueio a Gaza, e uma das maneiras de fazerem isso é nós continuarmos mandando barcos.
Segundo o parlamentar irlandês Mark Daly, que iria para Gaza, mas não obteve permissão, a embarcação que está a caminho do território palestino ficou para trás porque era mais lenta e os passageiros decidiram continuar a viagem mesmo depois de serem informados sobre o ataque israelense. Autoridades de Israel disseram que 50 dos 679 ativistas que estavam a bordo dos barcos atacados foram levados para o aeroporto internacional do país para serem deportados e 30 estavam hospitalizados. Os outros teriam se recusado a se identificarem e foram levados para prisão. Parte dos ativistas que já voltaram para casa descreveram cenas de horror dentro das embarcações.
- Houve um massacre a bordo - disse a turca Nilufer Cetin, que estava com seu filho de 1 ano e é esposa do engenheiro do navio, que continua detido. - O barco virou um lago de sangue.
Segundo Nilufer, militares confiscaram telefones, laptops e outros objetos dos passageiros. Cerca de 400 ativistas eram turcos, mas havia passageiros de até 20 nacionalidades na frota. Pelo menos seis cidadãos gregos e três parlamentares alemães já voltaram para casa.
- De repente, vimos (botes) infláveis vindo de todos os lados, e em segundos soldados totalmente equipados entraram no barco - contou o ativista grego Dimitris Gielalis, que estava a bordo do barco Sfendoni. - Nós apanhamos, levamos choques elétricos. Todos os métodos que podemos imaginar, eles usaram.
O ativista grego Aris Papadokostopoulos disse que os ativistas que permanecem em Israel se recusaram a assinar papéis exigidos por autoridades e muitos foram espancados enquanto eram interrogados. A bordo do Free Mediterranean, Mihalis Grigoropoulos, outro grego que voltou para casa, disse que ouviu tiros vindo de outra embarcação.
- Nós não resistimos. Mesmo que quiséssemos, o que poderíamos fazer? - questionou Grigoropoulos. - A única coisa que algumas pessoas tentaram fazer foi atrasar a chegada deles, formando um escudo humano. Elas foram alvo de tiros de balas de borracha e golpeadas com equipamentos elétricos.