Um grupo de defesa de direitos humanos dos Estados Unidos está processando a companhia de segurança Blackwater por crimes de guerra e pela morte de civis iraquianos.
O grupo Centro para os Direitos Constitucionais pede uma indenização de valor não especificado em nome de um sobrevivente e três famílias de homens que foram mortos pelos seguranças da Blackwater no Iraque, em 16 de setembro.
O governo do Iraque afirmou que o incidente, no qual 17 pessoas foram mortas, ocorreu sem que os seguranças tivessem sido provocados. A Blackwater nega.
O processo alega que a Blackwater “criou e abrigou uma cultura da falta de leis entre seus funcionários, encorajando-os a agir em defesa dos interesses financeiros da companhia, sem levar em conta vidas inocentes”, disse o centro em uma declaração.
'Massacre'
O grupo entrou com o processo em Washington em nome de Talib Mutlaq Deewan e das famílias de Himoud Saed Atban, Usama Fadhil Abbas e Oday Ismail Ibraheem.
— Este massacre foi apenas o último incidente em um longo histórico de delitos da Blackwater no Iraque —, disse a advogada Susan Burke.
O grupo afirma que a sua petição inicial alega que a Blackwater pode ser processada por alegações de agressão e lesão corporal, homicídio doloso ou culposo e negligência.
A Blackwater é responsável pela segurança dos funcionários da embaixada dos Estados Unidos em Bagdá e também é usada por empresários e autoridades que visitam o Iraque.
A companhia afirma que seus funcionários agiram em legítima defesa e que os insurgentes dispararam contra eles primeiro.
Lei internacional
Em outro desdobramento, a ONU pediu que companhias particulares de segurança no Iraque sejam processadas se forem acusadas de crimes mais graves.
A autoridade de direitos humanos da ONU no Iraque, Ivana Vuco, disse que seguranças particulares devem obedecer à lei internacional, apesar de terem conseguido a imunidade com uma regulamentação aprovada nos Estados Unidos, logo depois da invasão do Iraque em 2003.
— Para nós é uma questão de direitos humanos. Vamos monitorar as acusações de mortes causadas por empresas particulares de segurança e avaliar se crimes contra a humanidade e crimes de guerra foram cometidos —, disse.
Ministros iraquianos afirmam que vão pressionar para que funcionários de empresas de segurança estrangeiras não tenham mais esta imunidade no Iraque.
O comportamento das companhias de segurança particular no Iraque foi novamente questionado na terça-feira quando duas mulheres foram mortas em Bagdá por funcionários de uma empresa australiana.
Ativistas dos EUA processam empresa de segurança no Iraque
Quinta, 11 de Outubro de 2007 às 14:24, por: CdB