Nesta quarta-feira, depois de passarem pelo Instituto Médico Legal para exames de corpo de delito, os mais de 500 manifestantes do Movimento de Libertação dos sem Terra (MLST) presos no ginásio Nilson Nelson, no centro de Brasília, assinaram uma nota de culpa. Eles estão sendo indiciados como co-autores de uma série de crimes, entre eles formação de quadrilha, corrupção de menores e depredação do patrimônio público. Os 11 líderes do movimento que estão detidos na 2ª Delegacia serão considerados os autores.
A informação é do comandante do Policiamento Regional do Distrito Federal, coronel Antonio Serra. Segundo ele, foi tranqüila a noite no estádio Nilson Nelson, onde os integrantes do MLST ficaram detidos depois de manifestação na Câmara dos Deputados.
Serra afirmou que houve premeditação dos atos.
- Nós temos informações de que esses atos foram premeditados - disse. Segundo ele, houve, inclusive, exibição de imagens "ensinando como fazer" e na segunda-feira houve uma reunião em Brasília para preparar a manifestação.
O secretário de Segurança do Distrito Federal, general Athos Costa, parabenizou a ação da polícia e disse que o Complexo Penitenciário da Papuda, presídio de Brasília, já tem preparada uma ala com capacidade para 300 pessoas, para o caso de ser preciso prender os manifestantes autuados. Segundo ele, essas pessoas só não serão encaminhadas à Papuda se houver alguma decisão judicial durante a tramitação do inquérito.
O Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) que invadiu o Congresso Nacional é o mesmo que no ano passado realizou uma manifestação no Ministério da Fazenda para exigir o desbloqueio de R$ 2 bilhões do orçamento da reforma agrária.
O coordenador regional do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) em Pernambuco, Paulo Del Castilo, disse nesta quarta-feira que os atos de violência cometidos na Câmara dos Deputados não foram planejados. Castilo considerou "lamentável" a forma como o protesto aconteceu, com depredação do patrimônio público e agressões físicas.
- Em nenhum momento foi montada uma estratégia para depredar o patrimônio público, causar pânico ou tumultuar o Congresso. A intenção do vandalismo não existia, deve ter sido decorrente das circunstâncias - afirmou o coordenador do MLST em Pernambuco.
De acordo com ele, os trabalhadores saíram de seus estados com intenção de apresentar aos parlamentares reivindicações justas. Uma delas seria a revogação da medida provisória que exclui da reforma agrária, por dois anos, as propriedades rurais invadidas por sem-terra. A partir dessa imposição, os trabalhadores teriam sido obrigados a acampar nas estradas próximas às propriedades improdutivas, sujeitos a acidentes e atentados.
Em Pernambuco, o MLST possui 600 famílias assentadas e, 300, vivendo em acampamentos de lona. O movimento surgiu em agosto de 1997 e é formado por militantes de esquerda e por ex-lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).