A realização de mais exames para detectar o HIV é essencial para combater a pandemia de Aids, disse Richard Holbrooke nesta sexta-feira em Pequim, onde tenta incentivar as empresas chinesas a ajudar a conter a disseminação da doença.
O ex-embaixador na Organização das Nações Unidas (ONU), que hoje comanda a Coalizão Empresarial Global para HIV/Aids, também criticou a Organização Mundial da Saúde (OMS), afirmando que sua ênfase em distribuir medicamentos anti-retrovirais está equivocada, já que a maioria dos portadores da doença não sabe que está infectada.
- A escassez de exames é o ponto fraco da política. Se os exames não forem incentivados, a Aids vai se tornar, em todo mundo, a pior arma de destruição em massa - disse ele numa entrevista coletiva.
Holbrooke elogiou o esforço da China em combater a Aids, e disse que a epidemia de Sars, em 2003, foi importante para alterar as atitudes do governo central em relação à doença, por ter ressaltado as consequências econômicas que seu avanço.
As críticas mais duras foram ao programa "3 para 5", da OMS, que pretende distribuir remédios anti-retrovirais para 3 milhões de pessoas até o fim de 2005. Segundo ele, trata-se de um slogan publicitário que não pode ser cumprido, e que apenas 800 mil pessoas recebem os medicamentos até agora.
- Mesmo se eles conseguissem, não conteriam a disseminação. O único meio de fazer isso é fazendo exames - afirmou.
Funcionários da OMS em Pequim não estavam disponíveis para comentar as declarações.
Mas a ênfase de Holbrooke no diagnóstico ressalta os problemas que ainda existem na China, onde a prevenção ainda é afetada pelo estigma social e pela sensibilidade política.
Holbrooke afirmou que o exame de Aids deve ser feito rotineiramente em pacientes que se submetem a operações, pessoas que vão se casar e mulheres grávidas, mas reconheceu que seria difícil adotar tal política sem dar garantias de confidencialidade.
Isso seria um desafio para a China, onde o governo demorou a reconhecer a epidemia e diz possuir menos de 1 milhão de casos - número que, segundo organizações de combate à Aids, é enormemente subestimado.
Mas a atitude do governo vem mudando.
- O governo vai aperfeiçoar a legislação e o tratamento e investir mais recursos nesse trabalho", disse a ministra da Saúde e vice-premiê, Wu Yi.
- Espero que as empresas chinesas aproveitem seu crescimento para ... tomar providências para incentivar e aumentar o entusiasmo de seus funcionários por essa causa", disse ela nesta sexta-feira, num fórum com o objetivo de incentivar o engajamento empresarial na campanha.
Os comentários dela seguiram a linha das ações do presidente Hu Jintao e do premiê Wen Jiabao, que foram visitar hospitais e estiveram com pacientes com Aids.
-A China está na encruzilhada da luta contra a Aids," disse Holbrooke.
-Ou eles vão contê-la e estrangulá-la, ou ela vai se espalhar - sentenciou.