Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

Atividades marcam nove anos do Massacre de Avellaneda

Sexta, 24 de Junho de 2011 às 16:45, por: CdB

Nove anos depois, o Massacre de Avellaneda, o qual resultou na morte de dois jovens, em Avellaneda, Buenos Aires, Argentina, segue na impunidade. Para pedir justiça para as vítimas do crime, organizações e movimentos sociais promovem uma série de atividades. As ações já começaram ontem (23) e vão até o próximo domingo (26), dia que marca os nove anos do massacre.

As regiões de Alto Valle e San Luis inauguraram, ontem, as atividades em recordação ao Massacre com exibições de vídeos. As ações prosseguem neste fim de semana em diversos locais do país. O sábado será marcado por mobilizações e atos na província de Tucumán. Destaque também para a vigília que acontecerá na Ponte Puerredón, que liga Avellaneda a Buenos Aires.

No domingo, os manifestantes realizarão um ato central na ponte e em outras cidades do país, como Rosario, Formosa e Mar del Plata. "Este 25 e 26 de junho, realizaremos uma nova jornada de luta para denunciar o avanço repressivo e de acusação do protesto, exigir julgamento e castigo dos responsáveis políticos do Massacre de Avellaneda, denunciar a cumplicidade do kirchnerismo na impunidade”, afirmaram as organizações que convocam para as manifestações.

Massacre de Avellaneda

No dia 26 de junho de 2002, uma repressão do Estado a uma manifestação ocorrida próxima à estação ferroviária de Avellaneda matou Darío Santillán e Maximiliano Kosteki, então com 21 e 25 anos, respectivamente. Notícias dão conta de que, naquele dia, Eduardo Duhalde, então presidente do país, ordenou reprimir a manifestação que acontecia em Avellaneda por melhores salários, aumento dos alimentos nos restaurantes populares e em solidariedade a uma fábrica de cerâmica. Além dos dois ativistas mortos, a repressão resultou em mais de 30 pessoas feridas por bala de chumbo.

A intenção do governo nacional era conter as mobilizações sociais que aconteciam no país desde a rebelião popular ocorrida nos dias 19 e 20 de dezembro de 2001, a qual implicou na renúncia do presidente Fernando de la Rúa. Durante esses seis meses, a população seguia com mobilizações em ruas e praças argentinas por conta da crise política e econômica no país. Em resposta, o governo prendia lideranças sociais e sindicais com o intuito de desarticular a população em luta.

Apesar do julgamento e da condenação à prisão perpétua de alguns policiais, entre eles o comissário Alfredo Fanchiotti e o cabo Alejandro Acosta, o Massacre, para muitos, ainda permanece impune. Isso porque nenhum dos responsáveis políticos do crime foi preso.

O mandatário argentino na época, Eduardo Duhalde, hoje é candidato à presidência da República. Aníbal Fernández, quem foi secretário geral da presidência no governo de Duhalde, atualmente ocupa o cargo de chefe de gabinete do Governo nacional argentino.

Tags:
Edições digital e impressa