Rio de Janeiro, 05 de Outubro de 2026

Atirador da Noruega deve ser louco, diz advogado

Terça, 26 de Julho de 2011 às 06:57, por: CdB

Atirador da Noruega deve ser louco, diz advogadoLegenda:Atirador da Noruega está relutante em alegar insanidade (reuters_tickers)

Por Johan Ahlander e Wojciech Moskwa

OSLO (Reuters) - O advogado do norueguês que matou pelo menos 76 pessoas com uma explosão de bomba e com tiros disse na terça-feira que seu cliente parece ser louco.

Os ataques da sexta-feira cometidos por Anders Behring Breivik traumatizaram a Noruega, país normalmente pacífico que agora se esforça para superar o maior massacre em tempos de paz da época moderna.

"O caso inteiro indica que ele é insano", disse Geir Lippestad sobre Breivik, de 32 anos, que confessou ter cometido atos "atrozes, porém necessários", mas nega ser um criminoso.

O advogado disse que ainda é cedo para saber se Breivik vai alegar insanidade em seu julgamento, dizendo que seu cliente talvez se oponha a isso, já que pensa que apenas ele "compreende a verdade".

Lippested disse que Breivik afirmou fazer parte de uma rede anti-islã que possui duas células na Noruega e outras fora do país.

Mas a polícia acredita que Breivik provavelmente agiu sozinho em seus ataques sangrentos, que uniram os noruegueses em repúdio.

"Ele odeia as ideias ocidentais e os valores da democracia. Ele prevê que isto seja o início de uma guerra que vai durar 60 anos. Ele se enxerga como um guerreiro. Ele inicia esta guerra e se orgulha disso", disse Lippestad.

Membro do Partido Trabalhista, cuja ala jovem foi o alvo do massacre em uma ilha idílica, disse que vai abandonar a defesa de Breivik se este não concordar em submeter-se a exames psicológicos.

"Ele tem uma visão da realidade que ninguém mais compartilha", disse Lippestad.

O advogado é mais conhecido por ter defendido um direitista que em 2002 foi condenado a 17 anos de prisão pelo assassinato racialmente motivado de Benjamin Hermansen, 15 anos, cujo pai era africano.

TRABALHO "FANTÁSTICO" DA POLÍCIA

O ministro da Justiça, Knut Storberget, rejeitou as críticas segundo as quais a polícia teria sido lenta em sua reação ao massacre, descrevendo como "fantástico" o trabalho dela após os ataques.

"É muito importante que tenhamos uma abordagem aberta e crítica, mas há um tempo certo para tudo", disse Storbeget a repórteres depois de conversar com o chefe de polícia de Oslo.

Uma equipe armada da polícia de choque levou mais de uma hora para chegar à ilha de Utoeya, onde Breivik estava matando a tiros jovens apavorados de um acampamento de jovens do Partido Trabalhista. Ele matou 68 pessoas na ilha e outras oito na explosão provocada no distrito governamental de Oslo.

O premiê também negou que a polícia tenha ignorado as ameaças representadas por fanáticos de direita na Noruega.

Muitos noruegueses parecem concordar que a polícia não merece ser criticada por sua reação. Em uma marcha de mais de 100 mil pessoas em Oslo na noite de segunda-feira, as pessoas aplaudiram membros dos serviços de resgate.

As ruas estavam cheias de rosas brancas e vermelhas deixadas após a manifestação, a maior promovida na Noruega desde a Segunda Guerra Mundial.

Os jornais noruegueses publicaram nomes de fotos de alguns dos mortos na ilha a noroeste de Oslo. O mais jovem tinha 14 anos. Muitos eram adolescentes ou tinham pouco mais de 20 anos.

A Noruega parece sentir algum alívio pelo fato de que Breivik parece ter agido sozinho em sua tentativa de salvar a Europa do "marxismo cultural" e de uma "invasão muçulmana," atacando o governista Partido Trabalhista.

Storberget disse à televisão Reuters que a Noruega recebeu uma "lição dura", mas que continuará a ser uma democracia aberta e livre, ao mesmo tempo tomando medidas não especificadas para reforçar a segurança.

(Reportagem de Walter Gibbs, Anna Ringstrom, Henrik Stoelen, Wojciech Moskwa, Terje Solsvik, Patrick Lannin, Johan Ahlander, John Acher, Jon Hemming, Mohammed Abbas, Victoria Klesty e Ole Petter Skonnord)

Reuters

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