Candidata da extrema direita, Marine Le Pen, após as mortes, subiu 4 pontos percentuais nas pesquisas de boca-de-urna, após os atentados no Centro de Paris. Apesar do salto, a impressão entre os eleitores franceses é que ela chegará ao segundo turno, mas em segundo lugar
Por Redação - com agências internacionais - de Paris
O governo da França informou, nesta sexta-feira, que suas forças de segurança estão totalmente preparadas para a eleição presidencial no fim de semana. Nesta sexta-feira, um policial foi morto por um militante islâmico, em uma região nobre da capital francesa. O fato gerou uma sombra sobre o último dia de uma campanha imprevisível.
A candidata da extrema direita, Marine Le Pen, após as mortes, subiu 4 pontos percentuais nas pesquisas de boca-de-urna, em menos de 24 horas. Apesar do salto, a impressão entre os eleitores franceses é que ela chegará ao segundo turno, mas em segundo lugar. Em uma análise dos números, porém, percebe-se que qualquer que seja o primeiro colocado, este vencerá as eleições. De acordo com especialistas políticos franceses, seu eleitorado não supera os 30%.
Primeiro turno
Com o primeiro turno da eleição de duas etapas marcado para acontecer no domingo, o centrista Emmanuel Macron ainda mantém sua posição como favorito na acirrada corrida. Uma pesquisa de intenção de voto da Elabe, realizada antes do ataque a tiros na noite de quinta-feira na avenida Champs Élysées, no Centro de Paris, mostrava Macron com 24% no primeiro turno e a líder da extrema-direita, Marine Len, logo atrás, com 21,5%.
Dois outros candidatos – o ex-primeiro-ministro conservador François Fillon e Jean-Luc Mélenchon, da extrema-esquerda – seguiam atrás com 20% e 19,5%, respectivamente.
Campanhas e a publicação de pesquisas de intenções de voto são banidas da meia noite desta sexta-feira até o fechamento das mesas de voto. O primeiro turno de domingo será seguido por uma disputa de segundo turno em 7 de maio entre os dois candidatos mais votados.
Segurança
O ataque na Champs Elysees foi reivindicado pelo grupo militante Estado Islâmico. Um agressor foi morto e autoridades dizem estar buscando por um possível segundo suspeito.
Saindo de um encontro de emergência com autoridades da segurança, o primeiro-ministro francês, Bernard Cazeneuve, anunciou total mobilização das forças de segurança, incluindo unidades de elite, para apoiar os 50 mil policiais já destinados a garantir a segurança dos cidadãos durante a eleição.
— O governo está totalmente mobilizado. Nada deve ser permitido de impedir o fundamental processo democrático de nosso país. Cabe a nós não entrarmos em medo e intimidação e manipulação. Isso pode nos colocar nas mãos de nosso inimigo — disse Cazeneuve a repórteres.
Desemprego
O ataque a tiros, abruptamente, colocou a segurança nacional no topo da agenda. Possivelmente, torna o resultado do primeiro turno, no domingo, mais difícil de ser previsto. Com pontos de vista mais duros sobre segurança e imigração, as posições de Len Pen e Fillon repercutem mais.
Mas ataques que aconteceram antes de eleições, incluindo os ataques de novembro de 2015, em Paris. Ocorreram antes das eleições regionais. Mas o ataque a tiros contra uma escola judaica, na eleição presidencial de 2012, também não alterou os resultados.
Um ataque contra um soldado em fevereiro no museu do Louvre, também não teve impactos óbvios em pesquisas de opinião. Neste ano, os eleitores apontam o desemprego e a confiança em políticos como assuntos mais importantes.