Quatro explosões atingiram trens lotados do metrô e um ônibus de Londres na quinta-feira, matando ao menos 37 pessoas, no ataque mais sangrento à capital britânica em tempos de paz, que também atrapalhou a cúpula do G8, que reúne as nações mais industrializadas do mundo e a Rússia.
A polícia britânica disse que 37 pessoas tinham morrido nos atentados. Mais tarde, o ministro do Interior da França, Nicolas Sarkozy, afirmou que o governo britânico havia citado uma cifra de 50 vítimas fatais.
Cerca de 700 pessoas ficaram feridas, os mercados financeiros registraram uma queda antes de se recuperarem parcialmente e o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, abandonou a cúpula do G8 na Escócia classificando os ataques de atos "de barbárie".
Mais tarde, o premiê retornou para continuar participando da reunião, prometendo não deixar que os atentados afetassem as medidas para combater a pobreza na África e as mudanças climáticas. Ele deve retornar à capital britânica na sexta-feira.
O ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, Jack Straw, disse que os atentados apresentavam os traços típicos das ações realizadas pela rede de militantes islâmicos Al Qaeda, responsável pelos ataques de 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos e pelas bombas de 11 de março de 2004 contra trens de Madri.
Três explosões deixaram várias vítimas no metrô no momento em que os londrinos dirigiam-se para o trabalho pela manhã. A parte superior de um ônibus de dois andares foi arrancada em uma quarta explosão, ocorrida perto da Russell Square, no centro da cidade.
- A cena que se seguiu foi horrível. Pedaços de corpos espalhados pelo chão - disse Ayobami Bello, um guarda de 42 anos que estava perto do ônibus quando o atentado aconteceu.
A polícia informou que sete pessoas foram mortas em uma composição do metrô perto da Liverpool Street, outras 21 perderam a vida no atentado de King's Cross e mais sete morreram em Edgware Road. Ao menos dois passageiros do ônibus também foram mortos.
NENHUM ALERTA
Passageiros do metrô tropeçaram através dos vagões cheios de fumaça para sair dos trens depois das explosões.
- Foi horroroso. Havia fumaça por todos os lados. Eu não conseguia respirar - afirmou Joe Witalls, na estação de Edgware Road.
Uma organização até agora desconhecida, o Grupo Secreto para a Jihad da Al Qaeda na Europa, assumiu a responsabilidade pelos atentados, mas, segundo as forças de segurança, ainda era cedo demais para dizer se houve a participação de terroristas suicidas na ação.
O vice-comissário assistente da polícia londrina, Brian Paddick, disse a jornalistas que nenhum alerta havia sido recebido pelas forças de segurança.
- Estamos visivelmente chocados, mas não estamos surpresos com o que aconteceu - disse Paddick.
As cenas de choque, de passageiros ensanguentados e feridos contrastavam com a alegre multidão que tomou as ruas da capital britânica na quarta-feira para comemorar a escolha de Londres como sede dos Jogos Olímpicos de 2012.
- Estou profundamente entristecido com o fato de isso ter acontecido no centro de uma cidade olímpica. Infelizmente, não há nenhum lugar totalmente seguro. Ninguém pode dizer que sua cidade é segura - afirmou Jacques Rogge, presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI).
A cidade não vê um ataque deste porte desde a explosão de um carro-bomba em 2001, atribuído a um grupo republicano separatista da Irlanda.
O presidente dos EUA, George W. Bush, em declarações dadas na cúpula do G8, afirmou: "A guerra contra o terror continua".
- Não vamos ceder diante desses terroristas. Vamos encontrá-los e vamos levá-los à justiça - disse.
A Grã-Bretanha é uma aliada importante dos EUA no Iraque, onde a Al Qaeda patrocina uma violenta insurgência. A Espanha retirou suas tropas do país árabe após os ataques de 11 de março de 2004 em Madri,