Rio de Janeiro, 03 de Abril de 2026

Atentados matam 27 pessoas em Bagdá

Quinta, 27 de Julho de 2006 às 07:11, por: CdB

Um carro-bomba e vários morteiros atingiram o centro da capital iraquiana nesta quinta-feira, matando pelo menos 27 pessoas e ferindo outras 45, disseram fontes policiais.

O carro-bomba, que explodiu no bairro comercial de Karrada, abalou um edifício, provocando temores de que o número de mortos poderia aumentar, disseram fontes do Ministério do Interior. Os morteiros caíram nas proximidades. A região de população majoritariamente xiita tem sido uma das poucas áreas tranquilas da capital iraquiana.

Forças dos Estados Unidos e do Iraque têm concentrado seus esforços em estabilizar Bagdá, alvo de ações diárias com carros-bomba, homens-bomba e sequestradores.

O primeiro-ministro Nuri al-Maliki disse ao Congresso norte-americano na quarta-feira que o Iraque seria a "sepultura do terrorismo e dos terroristas". Mas a violência não dá trégua e as explosões desta quinta-feira trouxeram de volta as já familiares cenas de caos a Bagdá.

Dentro da loja de um alfaiate destruída pela bomba, as pessoas tentavam retirar um jovem preso no escombros do teto que havia desmoronado. Um menino de cerca de 10 anos com a cabeça ensanguentada estava deitado no chão a poucos metros de distância.

O Exército dos EUA pode fortalecer sua presença no Iraque adiando a partida prevista de parte de suas tropas, disseram autoridades em Washington na quarta-feira. Como já foi feito em alguns períodos ao longo dos três anos de guerra, o Exército pode aumentar temporariamente o tamanho de suas forças aumentando o tempo de permanência conjunta das unidades que chegam dos EUA e daquelas que devem voltar para casa.

Uma autoridade da defesa disse que a idéia seria fazer com que pelo menos uma brigada -- cerca de 3.500 soldados - permanecesse temporariamente no Iraque ao lado de outra brigada recém-chegada.

Em seu discurso ao Congresso, Maliki descreveu o Iraque como peça central na guerra ao terrorismo, mas o político xiita evitou falar sobre o crescente conflito sectário que alimenta temores de guerra civil no país. Uma média de100 pessoas por dia tem morrido em ataques entre facções sunitas e xiitas nas últimas semanas.

Vários deputados democratas disseram que ele evitou falar sobre as mortes entre xiitas e sunitas, assunto que eles vêem como principal ameaça para o Iraque e um fator que deve retardar a retirada das forças americanas.

A líder democrata na Câmara Nancy Pelosi disse ser "difícil encontrar otimismo" no fato de que a maior parte da violência tem sido "perpetrada por iraquianos contra iraquianos". Ela afirmou que Maliki "parecia estar se recusando a ver" a situação.

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