Os radicais islâmicos que perpetraram os atentados de Madri financiaram os ataques com dinheiro tráfico de drogas como haxixe e ecstasy, afirmou na última quarta-feira o ministro do Interior da Espanha. Angel Acebes disse que embora o grupo possa ter sido influenciado por um líder 'com mais experiência no radicalismo islâmico', grande parte do complô foi realizada com a ajuda de pequenos criminosos locais.
As declarações foram feitas por Acebes em sua última entrevista coletiva antes de o novo governo socialista assumir o poder. Ele afirmou que a célula terrorista usou traficantes de drogas comuns como intermediários. A venda de ecstasy e haxixe permitiu a compra dos mais de 200 quilos de dinamite usados nos ataques, que mataram 191 pessoas em trens de Madri no dia 11 de março.
O dinheiro da droga pagou o aluguel do apartamento usado como esconderijo, pelo carro e pelos telefones celulares usados para detonar as bombas. Os explosivos, disse Acebes, foram comprados de uma mina de carvão em Asturias, Norte da Espanha, e levados num carro Volkswagen até uma casa nos arredores de Madri, onde eles montaram as bombas e as puseram em mochilas.
Acebes contou ainda que os líderes da operação 'engoliram água sagrada de Meca', como parte do ritual que antecedeu os atentados. Segundo o ministro, o homem encarregado das finanças do grupo era Jamal Ahmidan, um imigrante marroquino de 33 anos com uma longa ficha de tráfico de drogas.
Ahmidan estava entre os sete terroristas que se explodiram no dia 3 de abril num apartamento em Leganes, subúrbio de Madri, para não terem que se entregar à polícia. Ao menos três corpos não foram identificados ainda.
O líder ideológico dos ataques - e das cerimônias de purificação - era o também marroquino Jamal Zougam, de 30 anos. Ele está entre os 18 presos desde os ataques. Serhane Ben Abdelmajid Fakhet, um tunisiano de 37 anos, foi considerado o chefe e coordenador dos ataques. Ele morreu em Leganes.
As autoridades espanholas procuram ainda um homem tratado como 'emir', que seria um líder espiritual do grupo. Ele seria Amer el-Azizi, um marroquino procurado por ligações com os atentados de 11 de setembro de 2001.
Atentados de Madri foram patrocinados pelo tráfico de haxixe e ecstasy
Quarta, 14 de Abril de 2004 às 21:24, por: CdB