Belkhadem disse que os ataques foram um ato criminoso e covarde. Ambulâncias se dirigiram rapidamente ao centro da cidade e a polícia bloqueou a entrada do gabinete do primeiro-ministro, segundo testemunhas. O prédio também abriga o gabinete do ministro do Interior.
"Este é um crime, um ato covarde. Só pode ser qualificado como covardia e traição", disse Belkhadem. "Em um momento em que o povo argelino está pedindo reconciliação nacional e estendendo suas mãos, estes atos criminosos estão ocorrendo."
Foi registrado um aumento no número de ataques violentos na Argélia desde que o principal grupo rebelde islâmico, o Grupo Salafista para Pregação e Combate (GSPC), mudou seu nome para Organização al-Qaeda no Magrebe Islâmico em janeiro.
Em agosto passado, a Argélia ofereceu aos militantes islâmicos uma anistia de seis meses se eles se rendessem. Segundo a Carta para a Paz e a Reconciliação Nacional, em vigor desde fevereiro, os muçulmanos que entregaram as armas receberam o perdão presidencial, desde que não estejam envolvidos em assassinatos, atos de sabotagem e ataque terroristas.
Mais de 2.000 pessoas foram libertadas segundo as disposições da Carta e 300 muçulmanos armados se beneficiaram do perdão presidencial.
Os atentados desta quarta-feira aconteceram dois dias depois de um duro confronto entre o Exército e um grupo muçulmano em Ain Defla (oeste de Argel), que matou nove militares. Em Kabilia, região leste do país, as tropas oficiais executam há 20 dias uma operação de rastreamento.
Os atentados
No primeiro, o carro-bomba ultrapassou a barreira policial e explodiu ainda no estacionamento do edifício, onde estão instalados vários gabinetes ministeriais, entre eles o do primeiro-ministro
A forte explosão danificou casas próximas e vários veículos. Vários das dezenas de feridos passavam pelo local na hora do ataque. Devido à explosão, fragmentos espalharam-sem por mais de 200 metros.
Os serviços de segurança estabeleceram um rígido controle na área, que foi isolada.
Os dois atentados aconteceram por volta das 10h45 locais (6h45 de Brasília).
Vários transeuntes morreram também ou ficaram feridos", disse um dos agentes da Defesa Civil, enquanto envolvia em uma tela o cadáver de um homem destroçado.
Pelo menos oito automóveis que circulavam perto do lugar foram também seriamente afetados e seus passageiros feridos, assim como os imóveis vizinhos à sede oficial.