Rio de Janeiro, 28 de Setembro de 2026

Atentado suicida mata 110 e leva pânico a Baquba

Um atentado suicida com um microônibus carregado de explosivos matou 110 pessoas e feriu outras 50 em Baquba, cidade ao norte de Bagdá, nesta quarta-feira. A explosão, que atingiu uma delegacia de polícia e um mercado, foi considerada o pior ataque no país desde a posse do governo interino, há um mês. (Leia Mais)

Quarta, 28 de Julho de 2004 às 06:26, por: CdB

Um atentado suicida com um microônibus carregado de explosivos matou 110 pessoas e feriu outras 50 em Baquba, cidade ao norte de Bagdá, nesta quarta-feira. A explosão, que atingiu uma delegacia de polícia e um mercado, foi considerado o pior ataque no país desde a posse do governo interino, há um mês.

A forte explosão deixou um mar de destruição, fazendo desaparecer as barracas do mercado e danificando vários prédios. As autoridades temem outros ataques, dias antes da realização de uma grande convenção política sobre o futuro do Iraque.

Imagens da Reuters Television mostraram ao menos 12 corpos de vítimas espalhados por uma rua, alguns ainda em chamas. Um homem gravemente ferido, com as roupas rasgadas e o corpo coberto de sangue, aparecia sentado em meio às ruínas fumegantes, perto de vários corpos, alguns deles de crianças.

Uma autoridade do Ministério da Saúde disse que 68 pessoas morreram e mais de 30 ficaram feridas na explosão, ocorrida pouco depois das 10h (4h em Brasília) em Baquba, localizada 65 quilômetros ao norte de Bagdá. Os 29 passageiros de um ônibus que estava ao lado do que explodiu morreram na hora, disse um integrante do ministério.

Esse foi o dia mais violento do Iraque desde 24 de junho, quando mais de cem pessoas morreram em uma série de explosões e atentados suicidas em todo o país. A explosão desta  quarta-feira aconteceu um mês depois de o governo interino, formado por iraquianos, ter sido empossado pelos Estados Unidos, e três dias antes de uma grande convenção política em Bagdá.

Houve vários outros incidentes em todo o país nesta quarta-feira, criando a impressão de que se tratava de uma campanha coordenada. Um morteiro ou um foguete atingiu uma rua movimentada de Bagdá, matando uma pessoa e ferindo cinco, disseram testemunhas. Ao sul da capital iraquiana, perto da antiga cidade da Babilônia, sete policiais iraquianos morreram em uma troca de tiros em que 35 insurgentes também foram mortos, disse o Ministério de Defesa da Polônia. Nenhum dos soldados norte-americanos e ucranianos que davam apoio aos iraquianos ficou ferido.

Além de ter matado vários civis no mercado, o atentado de Baquba atingiu um grupo de homens que fazia fila perto de um posto de recrutamento da polícia iraquiana. "Nós os reunimos em um lugar para registrar os nomes deles. Estavam em uma fila, quando, de repente, esse veículo apareceu e explodiu", disse um policial no local do atentado.

Outras pessoas presentes ajudaram a reunir partes de corpos para serem enterradas. Bombeiros chegaram para apagar as chamas e, por vezes, tiveram de apontar suas mangueiras para corpos de vítimas que ainda pegavam fogo.

Baquba, uma cidade sunita e xiita, é lar de muitos ex-membros das Forças Armadas do Iraque e testemunhou vários atentados com carros-bomba e várias ações suicidas no último ano. Nesta terça-feira, a leste da cidade, um soldado norte-americano foi morto e três ficaram feridos quando o carro no qual estavam foi atingido por uma bomba plantada no acostamento de uma estrada.

A nova onda de violência surge três dias antes de o Iraque realizar uma conferência nacional em que cerca de mil delegados reunidos em Bagdá devem discutir o futuro do país e escolher um Conselho Nacional formado por cem membros e encarregado de supervisionar o governo interino.

Há muita preocupação sobre a segurança do evento. A Organização das Nações Unidas (ONU) vinha pedindo que o encontro fosse adiado. Mas Fouad Massoum, o organizador do evento, disse na terça-feira estar comprometido com a realização dele neste mês e que a credibilidade do novo governo iraquiano dependia disso.

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