Rio de Janeiro, 11 de Setembro de 2026

Atentado em Madri: Aznar tentou intervir na imprensa

O jornal catalão El Periodico afirmou que o primeiro-ministro José María Aznar ligou duas vezes para seu editor para convencê-lo de que os autores dos ataques eram militantes bascos, não islâmicos. (Leia Mais)

Terça, 16 de Março de 2004 às 13:44, por: CdB

Mais uma empresa jornalística informou nesta terça-feira ter sido pressionada pelo governo espanhol na cobertura do ataque a bomba em Madri na semana passada, num escândalo com direito a censura e parcialidade envolvendo o Partido Popular, derrotado nas urnas na eleição de domingo.

O jornal catalão El Periodico afirmou que o primeiro-ministro José María Aznar ligou duas vezes para seu editor para convencê-lo de que os autores dos ataques eram militantes bascos, não islâmicos.

Isso aconteceu antes da eleição de domingo, em que o Partido Socialista derrotou o partido de Aznar, que até o atentado era favorito. Conforme o editor do jornal, Antonio Franco, em duas ocasiões Aznar educadamente lhe preveniu que "não se enganasse. O ETA era o responsável", teria dito ele.

Esta foi a última de uma série de acusações de que o governo tentou interferir na cobertura jornalística dos ataques a bomba de quinta-feira em Madri, que deixaram 201 mortos. Desde então, crescentes evidências apóiam a tese de que os autores do atentado foram militantes islâmicos, apesar de o governo dizer que todas as linhas de investigação estão abertas.

Aznar declarou na sexta-feira passada que telefonou para vários jornais para explicar o ponto de vista do governo, e hoje o ministro do Interior, Angel Acebes, defendeu o modo como o governo informou o público sobre os ataques. "Dissemos a verdade o tempo todo", alegou.

ETA

O jornal El País, de tendência esquerdista, disse que recebeu ligações de Aznar colocando a culpa no ETA, e funcionários da agência de notícias estatal EFE acusaram ontem o editor-chefe de censurar informações importantes.

Pesquisas feitas antes da eleição mostravam que a política linha dura do PP contra o ETA, grupo terrorista basco com um histórico de atentados a bomba, tinha o apoio da população e favorecia sua manutenção no poder. O apoio espanhol à guerra do Iraque, porém, provocou protestos de milhões de pessoas no ano passado.
 

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