Rio de Janeiro, 02 de Outubro de 2026

Atentado e massacre deixam Noruega em estado de choque

Sexta, 22 de Julho de 2011 às 14:46, por: CdB

Atentado e massacre deixam Noruega em estado de choqueAtentado contra a sede do governo em Oslo e massacre em acampamento de jovens do partido do governo parecem estar relacionados, diz a polícia. Pelo menos sete pessoas morreram na explosão e outras 20 podem ter morrido no acampamento. Na Noruega a violência por motivos políticos é muito pouco comum, ainda que o país seja membro da OTAN e tenha sido por vezes referido por líderes da Al-Qaeda devido ao seu envolvimento no conflito no Afeganistão.

Público.pt

Uma bomba em Oslo e uma massacre num encontro de jovens do partido do Governo - em duas ocorrências aparentemente relacionadas - deixaram a Noruega hoje em estado choque. Pelo menos sete pessoas morreram no atentado em Oslo, enquanto na ilha norueguesa de Utoeya testemunhas afirmam ter visto 20 pessoas mortas, alvejadas por um homem disfarçado de polícia.

O atentado no centro de Oslo atingiu o edifício de 17 andares, onde fica o gabinete do primeiro-ministro norueguês e afetou também as instalações de outros ministérios, adiantou a AFP. A polícia já confirmou que os danos foram causados por uma bomba.

Para além dos sete mortos confirmados pela polícia, pelo menos duas pessoas ficaram gravemente feridas. A explosão provocou um incêndio nas instalações do Ministério do Petróleo.

Em Oslo, a estação de comboios foi evacuada, bem como as instalações do canal de televisão TV2, por terem sido encontrados pacotes suspeitos, adiantou o diário britânico "The Guardian".

Na ilha de Utoeya, uma pessoa já foi detida na sequência deste ataque, noticiou a estação de televisão NRK. Um homem vestido de polícia disparou sobre as pessoas que participavam no encontro de jovens do Partido Trabalhista de Jens .Testemunhas falam em mais de 20 mortos, mas a polícia ainda não avançou com qualquer número.

Primeiro-ministro norueguês ileso
Uma jornalista da estação de rádio pública NRK relatou que a explosão em Olso causou vários estragos. “Vejo que as janelas do edifício do VG [o principal tablóide norueguês] e da sede do Governo ficaram partidas. Há pessoas ensanguentadas na rua”, adiantou, citada pela AFP.

O primeiro-ministro norueguês não se encontrava no seu gabinete na altura da explosão. Segundo a rádio NRK, o estrondo ocorreu junto ao Ministério das Finanças, muito próximo do gabinete do chefe de Governo e das instalações da redacção do VG. “Há vidros por todo o lado, é o caos total”, contou a jornalista da NRK, Ingunn Andersen, que adiantou ter sentido inicialmente “um tremor de terra”.

As imagens colocadas no site da rádio mostram escombros, vidros partidos e a fachada danificada do edifício do VG.

A explosão ocorreu por volta das 15h30 (hora local), e nos primeiros instantes não foram dadas quaisquer informações sobre as causas. “Deve ter sido uma bomba”, disse à Reuters Kjerti Vedun, enquanto deixava o local do incidente. “As pessoas corriam, em pânico”.

A estação de televisão Al Jazira sublinhou, no entanto, que o incidente ocorre poucos dias depois de a procuradoria norueguesa ter interposto uma acusação por terrorismo contra Najmuddin Faraj Ahmad, ou mullah Krekar, fundador do grupo islamista Ansar al-Islam, do Kurdistão.

Apesar de estar na Noruega desde 1991, depois de ter fugido do Norte do Iraque, mullah Krekar não tem nacionalidade norueguesa, ao contrário da sua mulher e dos seus quatro filhos. No dia 12 foi formalmente acusado por ter ameaçado de morte uma antiga ministra norueguesa, Erna Solberg. “A Noruega pagará um preço elevado pela minha morte”, teria dito então, citado pela Al Jazira. “Se, por exemplo, Erna Solberg me deportar e eu morrer na sequência disso ela terá a mesma sorte”, ameaçou. Não se sabe, no entanto, se a explosão esta relacionada com este caso.

Na Noruega a violência por motivos políticos é muito pouco comum, ainda que o país seja membro da OTAN e tenha sido por vezes referido por líderes da Al-Qaeda devido ao seu envolvimento no conflito no Afeganistão.

“É muito difícil dizer o que aconteceu”, disse à Reuters David Lea, analista do grupo Control Risk especializado na Europa. “Não há certamente nenhum grupo terrorista interno na Noruega, ainda que tenha havido algumas detenções por ligações à Al-Qaeda, de tempos a tempos”, adiantou. “Há o envolvimento no Afeganistão, mas é cedo para tirar qualquer conclusão”.


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