O primeiro-ministro palestino, Ahmed Qurie, condenou nesta quarta-feira o atentado contra um crítico do presidente Yasser Arafat. O ataque foi visto como parte da caótica luta pelo poder travada atualmente dentro da liderança palestina.
Homens armados atiraram no parlamentar Nabil Amr, um dos maiores defensores das reformas anticorrupção, ferindo-o dentro de sua própria casa na Cisjordânia. Ele havia acabado de voltar de uma entrevista concedida a uma TV na qual criticava a atuação de Arafat.
O ataque aconteceu em meio a uma grave crise na liderança palestina, detonada por um final de semana de conflitos na Faixa de Gaza e pelo pedido de renúncia de Qurie. Arafat enfrenta atualmente seu maior desafio desde que regressou do exílio, dez anos atrás.
A luta pelo poder coloca a velha guarda do presidente disputando espaço com uma geração mais jovem, reformista, antes de Israel implementar eventualmente seus planos de desmontar os assentamentos judaicos da Faixa de Gaza em 2005. Alguns palestinos temem que a crise desemboque em uma guerra civil.
Qurie, que por enquanto aceitou continuar no cargo após Arafat ter rechaçado o pedido de renúncia dele, mostra-se frustrado devido à recusa do veterano dirigente em permitir-lhe reformar as instituições palestinas, consideradas corruptas e antiquadas. As principais mudanças teriam de ser feitas nos serviços de segurança.
"Condenamos veementemente esse ato criminoso", disse Qurie depois de visitar o parlamentar ferido. "Esse ataque não tem por alvo apenas Nabil Amr". O atentado é mais uma prova da "paralisia do aparato de segurança, do caos e da ausência da lei", afirmou o premier.
Amr, de 57 anos, foi atingido duas vezes na perna direita através da janela de sua casa em Ramallah. Médicos disseram que os ferimentos não ameaçavam a vida dele. Ninguém assumiu a responsabilidade pela agressão.
A casa do parlamentar já foi atingida por tiros no passado, mas em uma nota divulgada do hospital em que está, Amr pediu calma, mas prometeu que não seria silenciado. "Que todos saibam que acredito nas coisas que falo", afirmou.