A defesa mexicana conseguiu interromper o ataque brasileiro, com marcação cerrada a Neymar
Em dia de empate na Arena Castelão, em Fortaleza, o grito de gol ficou preso na garganta de milhões brasileiros, inclusive dos manifestantes anti-Copa, que encerraram o ato de protesto pouco antes do início do jogo, a tempo de assistir a partida. Em campo, a seleção brasileira bem que se esforçou, mas não conseguiu vencer a defesa mexicana, principalmente do goleiro Ochoa, e ficou no 0 x 0. Foi o primeiro empate entre as duas seleções na história das copas.
O México, que sofreu para se classificar para a Copa do Mundo, demonstrou estar recuperado e pronto para dar trabalho no torneio. Os comandados do técnico Miguel Herrera começaram o jogo com uma marcação adiantada, dificultando a saída de bola da seleção brasileira e fazendo faltas. O Brasil tentou dominar o jogo logo no começo, mas sucumbiu à boa defesa adversária e não conseguiu armar jogadas de perigo.
Aos dez minutos de partida, o Brasil entrou na área mexicana. Em jogada de linha de fundo, Oscar lançou para Fred, que bateu para fora. O atacante brasileiro estava impedido, mas o juiz não viu a irregularidade. Três minutos depois, o camisa 9 brasileiro teve outra boa oportunidade, mas não conseguiu tirar o zero do placar.
Aos 23 minutos do primeiro tempo, o México assustou com um ótimo chute de fora da área, com Herrera. Julio Cesar fez grande defesa. Dois minutos depois, o Brasil respondeu com uma cabeçada de Neymar no canto esquerdo. Ochoa se esticou todo para evitar o gol do Brasil. Foi a primeira participação do goleiro mexicano, que se tornaria protagonista da partida.
Aos poucos, o México começou a se soltar no jogo. Com boa marcação no meio-campo, os mexicanos deram trabalho para a defesa brasileira. Aos 40 minutos, Vázquez chutou à direita do gol, assustando a torcida. O primeiro tempo foi muito aquém do que os brasileiros esperavam, mas não faltou apoio ao time. Os 60.342 torcedores que lotaram o Castelão cantavam e gritavam. Brasileiros e mexicanos se revezaram nos gritos, de maneira saudável e respeitosa, repetindo o que já havia acontecido do lado de fora do estádio.
No segundo tempo, o Brasil tentou ser mais ofensivo e a aposta era o atacante Bernard. Foi ele que, aos dois minutos, cruzou para Neymar dentro da área, mas a defesa mexicana afastou. O ímpeto brasileiro, porém, não se confirmou. O México continuou dominando o meio-campo e apostando em chutes de longe. Aos nove minutos, Vázquez arriscou e a bola passou perto. Dois minutos depois, Herrera também tentou com perigo. Duante de um jogo nervoso e pobre tecnicamente, a torcida apoiava, mas os times em campo não conseguiram fazer sua parte.
Aos 17 minutos, Neymar cobrou uma falta de longe e a bola passou muito perto do gol. Seis minutos depois, O Brasil chegou com perigo, com uma sequencia de chutes na direção do gol, mas o goleiro mexicano mostrou que seria difícil vencê-lo nessa tarde, defendendo com o joelho a tentativa de Paulinho. O lance inflamou o time brasileiro, que melhorou na partida e passou a ter mais posse de bola e a empurrar os mexicanos para dentro da sua área.
Aos 40 minutos, Ochoa fez novo milagre, defendendo uma cabeçada à queima-roupa de Thiago Silva, na melhor chance do jogo. Mas não era dia de festa verde e amarela em Fortaleza. Esse foi o primeiro empate entre os dois times em Copas do Mundo. Antes, tinham sido três vitórias para o Brasil, com 11 gols marcados e nenhum sofrido.
Com o empate, o Brasil lidera o Grupo A, com quatro pontos. O México, satisfeito com o empate, fica em segundo lugar, perdendo por um gol de saldo. Croácia e Camarões se enfrentam nesta quarta-feira, em Manaus. Na última rodada, o Brasil enfrenta Camarões, no dia 23, em Brasília. No mesmo dia, mexicanos e croatas irão se enfrentar na Arena Pernambuco.
O resultado de hoje foi o segundo 0 x 0 desta Copa. O primeiro foi entre Irã e Nigéria, na véspera, na Arena da Baixada, em Curitiba.
Novas manifestações
Movimentos sociais foram às ruas protestar em Fortaleza, cidade que recebeu o segundo jogo do Brasil na Copa do Mundo. O ato contou com a participação de comunidades ameaçadas de remoção, movimento estudantil, partidos políticos, entidades sindicais, Movimento Passe Livre, Comitê pela Desmilitarização da Polícia e Comitê Popular da Copa. Iniciado às 11h30, o protesto chegou nas proximidades do Estádio Castelão. No entanto, antes da início da partida entre Brasil e México os manifestantes foram dispersados pela Polícia Militar (PM).
Pelo menos 19 adultos foram detidos e 11 adolescentes, apreendidos. A Secretaria de Segurança Pública do Ceará não soube informar o motivo das detenções. Já a Polícia Militar (PM) disse que foi por depredação do patrimônio.
Assim como no ato feito um ano atrás, quando cerca de 80 mil pessoas foram às ruas protestar durante a Copa das Confederações, os movimentos se depararam com um grande contingente policial. “Estávamos gritando palavras de ordem, como 'da Copa eu abro mão, quero dinheiro pra saúde, moradia e educação', e chegamos diante da polícia. Tinha muita, muita polícia, e nós decidimos voltar”, relatou a integrante do Comitê Popular da Copa, Patrícia Oliveira, que viu várias pessoas sendo revistadas e garrafas com vinagre, líquido que ameniza efeitos do gás de pimenta, serem apreendidas. Patrícia, que é advogada, criticou a ação, destacando a recomendação do Ministério Público, expedida na semana passada, sobre o livre porte do líquido, mesmo em protestos.
De acordo com o porta-voz da PM, tenente-coronel Fernando Albano, 3,8 mil homens estão escalados para fazer a segurança de cada um dos jogos em Fortaleza. Já o número de militares que participaram da abordagem à manifestação de hoje não foi divulgada “por questões estratégicas de segurança”, afirmou. O oficial disse que o conflito com os manifestantes teve início quando uma das principais vias de acesso ao Castelão foi fechada.
– Foram utilizados bomba de efeito moral e um novo equipamento, que chegou ontem para controle de distúrbio civil – disse.
O equipamento, chamado Caminhão de Controle de Distúrbios Civis, é um carro blindado de 20 toneladas que tem capacidade de suportar tiros de fuzil e comportar 4,5 mil litros de água, que podem ser usados por meio de um canhão contra os manifestantes. Repassado pela Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos do Ministério da Justiça (Sesge/MJ), o caminhão ficará no Ceará após a Copa.
– É mais um legado da Copa – disse o tenente-coronel.
Os movimentos sociais criticaram a aquisição da polícia.
– Na nossa opinião, quando se trata como sucesso ou como legado mais armamento, significa uma derrota da sociedade do ponto de vista do diálogo político e do respeito aos direitos, porque não se consegue superar conflitos e respeitar o direito à manifestação por via da dispersão – criticou o integrante da Rede Nacional de Advogados Populares, Rodrigo Medeiros.
Ele ponderou que, por mais que o equipamento seja de baixa letalidade, também pode significar riscos.
– Vamos apurar como foi utilizado hoje e buscar os órgãos competentes – completou.
Apesar dos conflitos, a integrante do Comitê Popular da Copa, Patrícia Oliveira, avaliou que o protesto “foi muito bom”.
– O ato começou muito bonito, com palavras de ordem contra a Fifa e a violência da Polícia Militar, bandeiras expressando todas as insatisfações com a Copa do Mundo e com as violações que vieram com ela – disse.
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