Rio de Janeiro, 01 de Novembro de 2026

Até oposição apóia Lula em favor do etanol

Senadora pelo Democráticos de Tocantins, a empresária rural goiana Kátia Abreu somou esforços ao adversário, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na cruzada contra as críticas ao biodiesel. (Leia Mais)

Quarta, 07 de Maio de 2008 às 07:41, por: CdB

Senadora pelo Democráticos de Tocantins, a empresária rural goiana Kátia Abreu somou esforços ao adversário, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na cruzada contra as críticas ao biodiesel. Ela rebateu, nesta quarta-feira, as acusações de que o Brasil estaria privilegiando a produção dos combustíveis renováveis, em detrimento da produção de alimentos. Ao afirmar que "o Brasil não é e não será responsável pela fome no mundo", a parlamentar lembrou que o país dispõe de 850 milhões de hectares de terras agriculturáveis e planta cana-de-açúcar em apenas 0,7% do território.

- Não somos uma ameaça à produção de alimentos. Os cidadãos que moram nas cidades se preocupam, com razão, com o aumento no preço dos produtos ou com a sua falta. Mas não foram os produtores que aumentaram os preços dos alimentos. Quando o preço do aço sobre, sobe o preço dos carros. Portanto, quando sobem os preços dos insumos da produção agropecuária, é claro que vai empurrar os preços para diante - afirmou.

A senadora disse que o aumento do custo de produção se baseia em cinco fatores importantes. Ela listou o aumento no consumo mundial, principalmente nos países emergentes, onde o aumento da renda proporciona maior consumo de alimentos; a alta no preço do petróleo, que encareceu o óleo diesel utilizado por tratores, colheitadeiras e caminhões, além dos fertilizantes derivados do petróleo; a redução da área plantada de soja e trigo, nos Estados Unidos, para incrementar as plantações de milho, usado para a produção de etanol; a crise das hipotecas, que levou os investidores a transferir seus investimentos para o mercado futuro de commodities; e os problemas climáticos em países que são grandes produtores de alimentos.

Kátia Abreu ressaltou que, em 2006, um produtor de soja precisava de 28 sacas do produto para comprar uma tonelada de fertilizante. Em 2007, essa relação saltou para 35 sacas pela mesma tonelada de fertilizante. Ela frisou que os fertilizantes e defensivos agrícolas representam 55% do custo de produção. A senadora ainda citou o caso do sal mineral.

- Em janeiro de 2007, um saco de sal mineral de 30kg, para uso pecuário, custava R$ 26. Em maio de 2008, o mesmo saco custa R$ 46. Temos poucas jazidas de sal mineral no Brasil e com qualidade baixa. Marrocos tem as maiores, com potencial de 21 bilhões de toneladas. No Brasil temos um potencial de apenas 268 milhões de toneladas, com qualidade baixa - afirmou.

A senadora ainda sugeriu a isenção da tarifa de importação de 10% do sal e da taxa do Fundo da Marinha Mercante (5%) para baratear o custo de produção. Ela também defendeu a fabricação de fertilizantes genéricos, a exemplo do que já é feito com os remédios para uso humano, e a permissão para que a iniciativa privada invista na construção e melhoria dos portos marítimos.

- Ainda tem o custo-Brasil. Poderíamos produzir mais barato se o governo fizesse a sua parte. Enquanto o mundo inteiro está investindo em hidrovias e ferrovias, 80% do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) está investindo em rodovias. Não se preocupem. Nós temos chão e tecnologia para plantar. Precisamos de infra-estrutura para exportar. Precisamos de regulação para proteger o consumidor - concluiu.

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