Existe provavelmente apenas um lugar no mundo onde os caixas automáticos dão instruções em latim. Esse lugar é a Cidade do Vaticano. O pequeno Estado papal que receberá peregrinos e presidentes para o funeral de João Paulo II. nesta sexta-feira é, ao mesmo tempo, extraordinário e mundano.
É o menor Estado do mundo, mas um dos mais influentes, com alguns dos maiores tesouros artísticos da humanidade e seus segredos mais profundos. Atrás de seus muros está a Capela Sistina, de Michelângelo, salas com afrescos de Rafael, um tumba de 1.600 anos e perfeitos jardins de tulipas e pinheiros.
Cardeais com mantos vermelhos debatem os assuntos da Igreja no Palácio Apostólico e monsenhores passam por freiras vietnamitas à sombra da Basílica de São Pedro. Mas também há um posto de gasolina, um banco, uma estação de trem, uma agência de correio, uma farmácia conhecida no mundo inteiro e um supermercado. O Estado conta com sua própria polícia, passaportes e placas de carro.
- É uma aproximação da eternidade - descreve o escritor italiano Vittorio Zucconi.
Mario, guarda do Vaticano que não quis dizer o sobrenome, achou a comparação engraçada.
- É igual a qualquer lugar, talvez um pouco mais tranquilo - disse, na Praça de São Pedro.
Mas a história da cidade-Estado mais poderosa do mundo não foi toda tranquila. Assassinatos e escândalos abalaram as muralhas do Vaticano desde que o local se tornou a residência do papa, no século 5.
Os 26 anos do papado de João Paulo não foram diferentes. Em 1998, um membro de seu Exército privado, os Guardas Suíços, matou a tiros seu comandante e a mulher dele e depois se suicidou.
As finanças locais têm uma história moderna menos espetacular. A cidade, que cobre 0,44 quilômetro quadrado, teve arrecadação de apenas 188 milhões de dólares em 2003 pela venda de selos, medalhas e de três milhões de entradas para os museus do Vaticano.
Recentemente, o Vaticano não teve verbas suficientes para cobrir reformas e perdas da Rádio Vaticano e o novo papa enfrentará um déficit. Mas o que não entra nesta conta é o valor das coleções dos museus, com mestres como Giotto e Caravaggio, ou do banco, que teria 4 bilhões de dólares em bens, segundo relatos.