Rio de Janeiro, 25 de Setembro de 2026

Até a oposição já esperava o enterro dos casos Sarney e Virgílio

Quarta, 19 de Agosto de 2009 às 09:34, por: CdB

A oposição amanheceu, nesta quarta-feira, certa de que aconteceria o arquivamento completo de todas as representações apresentadas ao Conselho de Ética contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). O colegiado, reunido à tarde, estava pronto para rejeitar os 11 recursos contra as decisões do presidente Paulo Duque (PMDB-RJ) de não acatar as denúncias e representações para a abertura de investigações contra o peemedebista. Da mesma forma, o líder do PSDB na Casa, senador Arthur Virgílio, seria também beneficiado com o arquivamento da representação contra ele, por quebra de decoro parlamentar.

– Sem os votos do PT que resolveu blindar Sarney só restará o recurso ao plenário do Senado – afirmou o vice-líder do PSDB, Álvaro Dias (PR). O parlamentar acrescentou que tem em mãos parecer da Consultoria Jurídica da Casa que considera regimental a apreciação desses recursos em plenário.

Os três votos do PT seriam fundamentais para decidir se o Conselho daria prosseguimento às investigações sobre supostas irregularidades que envolvem o nome de Sarney ou se manteria o arquivamento das denúncias. Na véspera, no depoimento da ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), PMDB e PT mostraram-se coesos na defesa do governo federal.

Líder do PMDB, Renan Calheiros (AL) atribuiu a iniciativa da oposição em convidar Lina Vieira à tentativa de antecipar a campanha eleitoral de 2010 e de desgastar as imagens do presidente Lula e da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, eventual candidata à Presidência da República.

A ex-secretária foi convidada a comparecer ao Senado, por iniciativa da oposição, para explicar suposto encontro que teria ocorrido no ano passado com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto. A ministra teria lhe pedido, na ocasião, para agilizar as investigações, que estão em andamento na Receita Federal, contra o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado,

O senador Renato Casagrande (PSB-ES), também defensor do afastamento de José Sarney da presidência da Casa, ainda mantinha uma pequena esperança de contar com os votos do PT na reunião desta quarta-feira do Conselho de Ética.

– Temos que tentar conseguir no PT os votos favoráveis para a abertura das investigações. Vamos ver como é que fica – disse ele, na noite passada, mas sem qualquer traço de expectativa quanto ao posicionamento dos colegas da base aliada.

Casagrande, como o vice-líder tucano, argumenta que é regimental o recurso ao plenário do Senado para que todos os senadores decidam sobre o destino destas investigações. Na verdade, desde o início das apresentações das denúncias e das representações contra Sarney, os partidos que defendem as investigações já traçaram a estratégia de forçar todos os parlamentares a votar nominalmente sobre o assunto.

Consciência

Pela manhã, o senador Augusto Botelho (PT-RR) afirmou que os votos do partido no Conselho de Ética serão definidos pela consciência de cada parlamentar e não por pressão partidária. O parlamentar, que é segundo suplente no colegiado, disse ainda que as representações e denúncias contra o presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP) serão analisadas caso a caso pelos três parlamentares petistas que integram o conselho.

Tags:
Edições digital e impressa