24 pessoas morreram e 447 ficaram feridas (11 em estado grave) depois de ataque de forças militares contra um protesto pró-Palestina
06/06/2011
Da redação
Pelo menos 24 pessoas morreram e 447 ficaram feridas (11 em estado grave) depois de um ataque de forças militares israelenses contra um protesto pró-Palestina no domingo (05). O objetivo dos manifestantes era entrar no território das Colinas de Golã, controlado por Israel desde 1967.
O protesto, que mobilizou centenas de pessoas, marcou o dia de Naksa - aniversário da derrota árabe na Guerra dos Seis Dias, em 1967. No conflito, Israel conquistou as Colinas de Golã da Síria, junto com a Cisjordânia, o leste de Jerusalém e a Faixa de Gaza.
De acordo com um porta-voz militar de Tel Aviv, capital israelense, houve apenas "disparos de advertência" do Exército contra "as pernas dos manifestantes, que tentaram cruzar" a fronteira a partir da parte síria de Golã.
Já o político palestino independente Mustafa Barghouthi, em entrevista à Al Jazeera, descreveu as cenas de ataque como "uma violência terriível" por parte de Israel: "O que nós vimos nas Colinas de Golã, e em frente ao posto de Jerusalém, foram demonstrações pacíficas pedindo liberdade e o fim da ocupação, que se tornou a mais longa na história moderna. E o que nós encontramos foi uma violência terrível de Israel. Eles usaram tiros, bombas de gás lacrimogêneo, bombas de som e tubos com produtos químicos que emanam produtos químicos perigosos contra os manifestantes".
Segundo o correspondente da Telesur no Oriente Médio, Hisham Wannous, a Chancelaria de Israel enviou uma mensagem à Organização das Nações Unidas (ONU), para apresentar uma queixa contra o governo sírio, acusado de "utilizar os manifestantes para provocar distúrbios no que chamam de territórios soberanos isralenses, territórios ocupados".
As autoridades sírias negam as acusações e, de acordo com Wannous, "pretendem também levantar uma queixa contra os israelenses que atacaram manifestantes pacíficos, causando a morte de 24 cidadãos". Esta foi a primeira vez que o regime do presidente sírio, Bashar al Assad, permite que manifestações de comemoração da Naksa cheguem à fronteira com Israel.
Em um comunicado divulgado nesta segunda-feira (06), o Ministério de Relações Exteriores da Síria afirmou que os manifestantes palestinos e sírios estavam reafirmando seu direito natural e legítimo de voltar às suas terras.
O primeiro ministro israelense, Benjamín Netanyahu, assegurou que as forças de segurança têm "instruções claras" de "atuar com a firmeza necessária". Os militares já reforçaram sua presença na fronteira com o Líbano e nas Colinas de Golã e têm ordem de disparar contra quem ingressar "ilegalmente" nesses territórios.
A manifestação deste domingo foi a segunda deste tipo em três semanas na Síria. Segundo informações da televisão síria, franco-atiradores israelenses, localizados em Golã, teriam a ordem de evitar o que ocorreu em 15 de maio deste ano, por ocasião das comemorações da Nakba (que recorda o êxodo palestino depois da criação do Estado de Israel, em 1948). Nesse dia, centenas de refugiados palestinos saíram da Síria, com destino a Israel, quando foram atacados por forças israelenses. Pelo menos 15 civis morreram.
(Com informações de agências)