Ataques dos EUA na Síria atingem depósitos e área de treinamento de rebeldes
Os Estados Unidos, com o apoio de seus aliados árabes, atingiram alvos do grupo Estados islâmico, incluindo campos de treinamento, bases e suprimentos de armas no norte e no leste da Síria em dezenas de ataques aéreos e com mísseis nesta terça-feira, disseram militares norte-americanos e um grupo de monitoramento do conflito.
Loja danificada após o que militantes do Estado Islâmico dizem ter sido um ataque de um drone dos EUA a um estação de comunicação em Raqqa, na Síria Pentágono anuncia que ataques aéreos, antes limitados ao Iraque, começaram também em território sírio, com apoio de aliados árabes
Os Estados Unidos, com o apoio de seus aliados árabes, atingiram alvos do grupo Estados islâmico, incluindo campos de treinamento, bases e suprimentos de armas no norte e no leste da Síria em dezenas de ataques aéreos e com mísseis nesta terça-feira, disseram militares norte-americanos e um grupo de monitoramento do conflito.
Os ataques dos EUA também tiveram como alvo o grupo Frente Nusra, filiado à Al Qaeda, no norte da Síria. Segundo o grupo de monitoramento Observatório Sírio para os Direitos Humanos, mais de 50 militantes morreram nesses bombardeios.
O Exército dos EUA afirmou em um comunicado que "alvos múltiplos (do Estado Islâmico) foram destruídos ou danificados" em torno das cidades de Raqqa, Deir al-Zor, Hasakah e da localidade fronteiriça de Albu Kamal."
Rússia critica ataques
A Rússia criticou nesta terça-feira os ataques aéreos liderados pelos Estados Unidos contra posições do Estado Islâmico na Síria, dizendo que eles têm de ser coordenados com o governo sírio e que criariam mais tensão na região.
Os EUA, que há tempos pedem pela saída do presidente sírio, Bashar al-Assad, e diversos aliados do Golfo Árabe realizaram os primeiros ataques aéreos com mísseis sobre bastiões do Estado Islâmico na Síria.
- Qualquer ação do tipo deve ser executava apenas de acordo com a lei internacional - disse o Ministério de Relações Exteriores da Rússia em comunicado.
- Isso significa não uma notificação formal e unilateral de ataques aéreos, mas o consentimento explícito do governo da Síria ou a aprovação de uma decisão correspondente do Conselho de Segurança da ONU.
Os EUA, que também realizaram ataques aéreos no Iraque com a anuência de Bagdá, disse que não coordenarão seus planos com o governo sírio, que acusa de uso de armas químicas contra rebeldes que lutam pela saída de Assad desde o começo de 2011.
- Tentativas de cumprir as metas geopolíticas de um lado em violação à soberania de países na região apenas vão exacerbar as tensões e desestabilizar mais a situação - disse o ministério.
A oposição síria apoiada pelo Ocidente, que está combatendo tanto Assad quanto o Estado Islâmico, saudou os ataques aéreos, e disse que a ajudariam a derrotar Assad.
Bombardeios
O Pentágono anunciou nesta segunda-feira que foram iniciados os bombardeios aéreos contra bases do grupo extremista "Estado Islâmico" (EI) na Síria. Antes, os ataques aos radicais estavam limitados ao território iraquiano.
- As Forças dos Estados Unidos e de nações aliadas começaram os ataques contra o EI na Síria usando uma combinação de caças, bombardeiros e mísseis Tomahawk - anunciou no Twitter o porta-voz do Pentágono, o almirante John Kirby.
Ele não detalhou quais eram os aliados envolvidos nessas primeiras ações, nem quais foram os alvos. Mas, segundo o jornal The New York Times, os bombardeios estão concentrados na cidade de Raqqa, centro de operações dos extremistas, e ao longo da fronteira com o Iraque.
Sabe-se que apoiam os EUA na ofensiva Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Bahrein e Catar. O papel de cada país nos primeiros bombardeios, porém, não foi especificado. O regime sírio de Bashar al-Assad teria sido avisado sobre o início dos ataques aéreos.
Os bombardeios marcam uma guinada na política de combate ao terrorismo do presidente Barack Obama, até então resistente em envolver os EUA em mais uma guerra, especialmente na Síria, onde resistiu a intervir durante o ápice da guerra civil, e no Iraque, de onde acabou de retirar suas tropas.
O avanço nos últimos meses do EI, um grupo fortalecido durante a guerra civil Síria, e a brutalidade das decapitações de ocidentais acabaram forçando Obama a lançar uma nova operação militar no Oriente Médio após uma década de guerras no Iraque e no Afeganistão.
Obama garante que a operação será diferente das anteriores, alegando que em nenhum caso ela implicará o envio de tropas terrestres. Mas ele enfrenta o ceticismo dos que defendem, inclusive dentro do Pentágono, que é impossível vencer o EI sem combates em terra.
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