Pelo menos 200 pessoas foram mortas nesta terça-feira em quatro explosões no vilarejo de Kahtaniya, perto da cidade de Mosul, no norte do Iraque. Os atentandos tiveram como alvo seguidores de uma religião pré-islâmica, os yezidi, que, no Iraque, formam uma minoria entre a população de etnia curda, que, em sua maioria, é muçulmana sunita.
Na onda de ataques, uma das mais violentas em quatro anos de guerra no país, os insurgentes utilizaram um caminhão-tanque e três carros. As explosões teriam destruído ou iniciado incêndios em vários prédios e, segundo um porta-voz do Exército iraquiano, mais de 200 pessoas teriam ficado feridas.
O prefeito de Sinjal, uma cidade que fica nas redondezas, disse que o número de mortos depois dos atentatos desta terça-feira deve aumentar.
- Esperamos contabilizar o número de mortos até esta quinta-feira porque estamos encontrando apenas pedaços de corpos - disse Dhakil Qassim.
- Meu amigo e eu fomos jogados para o ar. Eu anda não sei o que aconteceu com ele - contou Khadir Shamu, um yezidi de 30 anos, à Agência Associated Press.
Minoria ameaçada
Para o correspondente da BBC em Bagdá, Richard Galpin, com as forças norte-americanas concentradas na capital, autoridades temem que os insurgentes estejam se deslocando para novas áreas onde possam atacar alvos mais vulneráveis.
Um porta-voz do governo regional do Curdistão, uma autoridade semi-autônoma que governa três províncias do norte do Iraque, disse que os yezidi são uma minoria ameaçada e que necessita da proteção de forças curdas.
- Nós poderíamos com certeza melhorar a segurança se tivéssemos permissão para operar na região - disse Khaled Salih.
- Mas diante da inércia do governo em Bagdá e sua incapacidade de proteger a população, eles (os yezidi) estão sofrendo como estão agora.
Em comunicado, a Casa Branca condenou os ataques, aos quais chamou de "bárbaros", e disse que as forças norte-americanas e o governo iraquiano continuarão combatendo os assassinos cruéis e sem coração.
Yezidi
Os integrantes da minoria religiosa yezidi participarão de um referendo, juntamente com outros grupos curdos, para decidir sobre sua inclusão na região autônoma curda.
Correspondentes acreditam que o referendo torna os iraquianos de origem curda alvos para ataques de motivação política.
Os yezidi seguem uma religião com tradições pouco conhecidas. Seus integrantes estão espalhados pela Armênia, Síria, Turquia e Iraque.
A religião prega cultos a Melek Taus, "o anjo pavão", tido como Lúcifer por cristãos e muçulmanos.
A tensão local entre os yezidi e muçulmanos cresceu em abril, quando uma garota yezidi foi apedrejada por sua comunidade depois de ter se convertido ao islamismo.