Rio de Janeiro, 11 de Fevereiro de 2026

Ataques contra minoria religiosa matam 200 no Iraque

Pelo menos 200 pessoas foram mortas nesta terça-feira em quatro explosões no vilarejo de Kahtaniya, perto da cidade de Mosul, no norte do Iraque. Os atentandos tiveram como alvo seguidores de uma religião pré-islâmica, os yezidi. (Leia Mais)

Quarta, 15 de Agosto de 2007 às 08:12, por: CdB

Pelo menos 200 pessoas foram mortas nesta terça-feira em quatro explosões no vilarejo de Kahtaniya, perto da cidade de Mosul, no norte do Iraque. Os atentandos tiveram como alvo seguidores de uma religião pré-islâmica, os yezidi, que, no Iraque, formam uma minoria entre a população de etnia curda, que, em sua maioria, é muçulmana sunita.

Na onda de ataques, uma das mais violentas em quatro anos de guerra no país, os insurgentes utilizaram um caminhão-tanque e três carros. As explosões teriam destruído ou iniciado incêndios em vários prédios e, segundo um porta-voz do Exército iraquiano, mais de 200 pessoas teriam ficado feridas.

O prefeito de Sinjal, uma cidade que fica nas redondezas, disse que o número de mortos depois dos atentatos desta terça-feira deve aumentar.

- Esperamos contabilizar o número de mortos até esta quinta-feira porque estamos encontrando apenas pedaços de corpos - disse Dhakil Qassim.

- Meu amigo e eu fomos jogados para o ar. Eu anda não sei o que aconteceu com ele - contou Khadir Shamu, um yezidi de 30 anos, à Agência Associated Press.

Minoria ameaçada

Para o correspondente da BBC em Bagdá, Richard Galpin, com as forças norte-americanas concentradas na capital, autoridades temem que os insurgentes estejam se deslocando para novas áreas onde possam atacar alvos mais vulneráveis.

Um porta-voz do governo regional do Curdistão, uma autoridade semi-autônoma que governa três províncias do norte do Iraque, disse que os yezidi são uma minoria ameaçada e que necessita da proteção de forças curdas.

- Nós poderíamos com certeza melhorar a segurança se tivéssemos permissão para operar na região - disse Khaled Salih.

- Mas diante da inércia do governo em Bagdá e sua incapacidade de proteger a população, eles (os yezidi) estão sofrendo como estão agora.

Em comunicado, a Casa Branca condenou os ataques, aos quais chamou de "bárbaros", e disse que as forças norte-americanas e o governo iraquiano continuarão combatendo os assassinos cruéis e sem coração.

Yezidi

Os integrantes da minoria religiosa yezidi participarão de um referendo, juntamente com outros grupos curdos, para decidir sobre sua inclusão na região autônoma curda.

Correspondentes acreditam que o referendo torna os iraquianos de origem curda alvos para ataques de motivação política.

Os yezidi seguem uma religião com tradições pouco conhecidas. Seus integrantes estão espalhados pela Armênia, Síria, Turquia e Iraque.

A religião prega cultos a Melek Taus, "o anjo pavão", tido como Lúcifer por cristãos e muçulmanos.

A tensão local entre os yezidi e muçulmanos cresceu em abril, quando uma garota yezidi foi apedrejada por sua comunidade depois de ter se convertido ao islamismo.

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