Um atentado suicida matou 14 pessoas em uma mesquita xiita de Bagdá na sexta-feira, enquanto milhares de xiitas - a vertente islâmica mais numerosa do Iraque - celebravam a Ashura, seu principal evento do calendário religioso.
Um homem usando um cinto com explosivos entrou no meio da multidão perto da mesquita do bairro de Doura, sudoeste de Bagdá, por volta do horário das orações, e acionou a bomba, segundo sobreviventes. Pelo menos 22 pessoas ficaram feridas.
Pouco depois, uma outra explosão atingiu uma segunda mesquita xiita da cidade, matando ao menos uma pessoa e deixando outras quatro feridas, afirmaram as Forças Armadas dos EUA e a polícia iraquiana. Policiais contaram que a explosão foi provocada por um ataque com morteiro.
As ações aconteceram enquanto milhares de xiitas realizavam uma passeata pelo centro da cidade um dia depois de uma aliança de partidos xiitas ter sido confirmada como vencedora das eleições de janeiro.
Os ataques desta sexta-feira lembraram a Ashura do ano passado, quando 170 pessoas foram mortas em uma série de atentados suicidas em Bagdá e em Kerbala, a cidade sagrada ao sul da capital, onde as festividades, que celebram Hussein (um mártir do século 7), são mais intensas.
Durante a procissão em Bagdá, Abdul-Aziz Al Hakim, líder do Conselho Supremo para a Revolução Islâmica no Iraque (SCIRI), o principal partido da aliança xiita que venceu o pleito de 30 de janeiro, discursou para a multidão defendendo a conciliação política.
- Peço a todos os iraquianos que se unam e garanto a todos que o Iraque que desejamos é um Iraque unido e seguro, no qual todos os cidadãos, sem exceção, terão justiça e igualdade - disse Hakim.
A maior parte dos sunitas, a vertente do islamismo que dominou o Iraque durante décadas até a invasão liderada pelos EUA em 2003, não votou na eleição e quase não contará com representantes na Assembléia Nacional.