Rio de Janeiro, 15 de Abril de 2026

Ataques às forças de segurança continuam: 60 mortos em SP

No balanço da maior onda de violência já realizado por marginais contra as forças de segurança do Estado de São Paulo, realizado na manhã deste domingo, chega a 60 o número de mortos nos ataques iniciados na noite desta sexta-feira. O levante também chegou a penitenciárias e Centros de Detenção Provisória paulistas, nas rebeliões com reféns, em 36 unidades do Estado. (Leia Mais)

Domingo, 14 de Maio de 2006 às 12:03, por: CdB

No balanço da maior onda de violência já realizado por marginais contra as forças de segurança do Estado de São Paulo, realizado na manhã deste domingo, chega a 60 o número de mortos nos ataques iniciados na noite desta sexta-feira. Neste total estão incluídos policiais civis, militares, guardas metropolitanos, agentes penitenciários, civis e suspeitos de integrar a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). O levante também chegou a penitenciárias e Centros de Detenção Provisória (CDPs), nas rebeliões com reféns, em 36 unidades do Estado.

Segundo autoridades policiais, a seqüência de ataques é organizada por traficantes do PCC, em retaliação à decisão do governo estadual de isolar os líderes da facção. Nesta quinta-feira, 765 presos foram transferidos para a penitenciária 2 de Presidente Venceslau, no interior do Estado, com a intenção de coibir as ações promovidas pela facção. No dia seguinte, oito lideres do PCC foram levados para depoimento na sede do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), na capital paulista. Entre eles estava o líder da organização, Marcos Willians Herba Camacho, o Marcola. No sábado, ele foi transferido para a penitenciária de Presidente Bernardes, de alta segurança. Na unidade, ele ficará sob o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), o mais rigoroso na escala prisional.

Tão logo a polícia começou a agir, iniciaram-se também os ataques, cerca de 100 até o final da tarde deste domingo, contra as forças de segurança em todo o Estado. Ainda segundo o balanço do governo, foram 42 na cidade de São Paulo, cinco no Centro, oito na Zona Norte, cinco na Zona Oeste, nove na Zona Sul e 15 na Zona Leste, 17 na Grande São Paulo, dez no litoral e 31 no interior. Além das 52 mortes, entre elas 35 policiais civis, militares, integrantes de guardas metropolitanas e agentes de segurança de penitenciária, outras 50 pessoas ficaram feridas: 24 PMs, cinco policiais civis, cinco guardas, dois agentes penitenciários, oito civis e seis suspeitos.

Nas unidades prisionais do Estado, os presos mantiveram, neste domingo, mais de 100 reféns. Os motins começaram na tarde desta sexta, em Iaras e Avaré. Depois se alastraram para outras unidades.

Graves conseqüências

Neste sábado, o governador Cláudio Lembo (PFL) disse que o governo já sabia, ainda na quarta, que as transferências trariam "conseqüências".

- Pensamos em todas as possibilidades e também nos riscos que nós poderíamos correr. Mas era preciso combater o que estava ocorrendo. Nós não estamos com bravatas nem com timidez. Estamos com a segurança de quem cumpre a lei e o Estado de Direito - disse ele a jornalistas.

Segundo o comandante-geral da PM, coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges, a corporação estava em alerta, com equipes de prontidão, para possíveis reações. Ele disse acreditar que, devido ao alerta da polícia, o número de mortes "foi bem menor" do que imaginaram.

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