Pelo menos 44 pessoas morreram quando supostos radicais muçulmanos sunitas atacaram rivais xiitas com rifles automáticos e granadas no Paquistão nesta terça-feira, um dos dias mais sagrados do calendário xiita.
Hospitais locais disseram que mais de 150 pessoas ficaram feridas no ataque suicida, ocorrido em Quetta, sudoeste do país, no mesmo dia em que atentados simultâneos no Iraque mataram pelo menos 143 pessoas nas cidade de Kerbala, sagrada para os xiitas, e na capital Bagdá.
O hospital militar de Quetta afirmou ter recebido 25 cadáveres e pelo menos 115 feridos, dos quais 20 em estado grave. Um médico do Hospital Civil disse que chegaram ali 19 corpos, inclusive os dos dois militantes suicidas, e 41 feridos, sete deles em estado grave.
_A maior parte das vítimas foi atingida por disparos de armas de fogo, explosões ou pisoteada'', disse esse médico.
Os ataques ocorreram em um dia em que xiitas de todo o mundo realizam procissões para lembrar o martírio de Hussein, neto do profeta Maomé e uma das figuras mais importantes da história xiita.
Em outro incidente no Paquistão, o líder de um grupo xiita clandestino foi morto a tiros e mais de 30 xiitas ficaram feridos em um confronto com sunitas, segundo a polícia.
O ataque contra a procissão xiita no centro de Quetta foi o pior incidente religioso no país desde o atentado suicida contra uma mesquita xiita da mesma cidade, em julho, que matou 57 pessoas.
``Os terroristas começaram a disparar de uma sacada contra os participantes da procissão'', disse o subchefe de polícia Riaz Khan à Reuters, acrescentando que homens armados da comunidade xiita Hazara atiraram de volta. Outro policial disse que os agressores também lançaram granadas contra a multidão.
``Quando os terroristas se viram cercados, pelo menos dois deles se explodiram'', afirmou Khan. ``Eu vi seus corpos pendurados da sacada sobre fios elétricos''.
Testemunhas disseram que as armas dos agressores estavam pintadas com o nome do grupo sunita Laskhar-e-Jhangvi, que foi colocado na clandestinidade e já cometeu vários ataques anteriormente.
``Suspeitamos que isso seja obra dos suspeitos de sempre, como o Lashkar-e-Jhangvi, mas não está claro qual era seu objetivo'', disse o líder xiita Abdul Jalil Naqvi à Reuters.
Os xiitas imediatamente passaram a provocar tumultos em Quetta, queimando mais de cem lojas. Tropas foram deslocadas para restaurar a ordem e impuseram um toque de recolher, enquanto uma coluna de fumaça se erguia no principal mercado da cidade. ``Não saiam, um toque de recolher foi imposto'', alertou a polícia aos moradores por meio de alto-falantes.
Uma testemunha disse ter visto vários xiitas provocando tumultos em frente a sua casa. ``Eles queimaram um hotel e agora o Exército está na área''. afirmou.
O Ministério do Interior disse que algumas prisões foram feitas, mas não deu detalhes.
Essa não é a primeira vez que o ritual xiita do Muharram é marcado pela violência entre eles e os sunitas. A segurança no país já estava reforçada por causa da cerimônia de terça-feira.