O drone é um avião não tripulado, com alto poder de fogo
Aviões teleguiados dos EUA mataram uma avó paquistanesa e 18 trabalhadores civis no ano passado, disse a Anistia Internacional nesta terça-feira, fazendo novas revelações a respeito de um assunto que provoca fortes tensões entre os governos de Washington e Islamabad. A situação dos EUA, tanto no Afeganistão quanto no vizinho Paquistão, chega ao ponto mais conturbado dos últimos anos.
O Paquistão também se opõe publicamente ao uso de drones (aviões não tripulados) em seu território, alegando que matam não só militantes como também muitos civis. Mas a dimensão precisa dessas mortes não está clara, porque jornalistas e pesquisadores independentes têm acesso apenas limitado às regiões afetadas. A Anistia diz ter realizado uma investigação minuciosa de dois ataques na região tribal paquistanesa do Waziristão do Norte. Um dos casos citados é o de Mamana Bibi, de 68 anos, esposa de um diretor de escola aposentado. Ela morreu enquanto colhia legumes na sua horta, e cinco netos dela ficaram feridos.
– Ficamos realmente chocados, especialmente com o caso da avó. De início achamos que não poderia ser verdade, deveria haver algo além disso. Pessoas que claramente não são uma ameaça iminente aos EUA, não estão lutando contra os EUA, estão sendo mortas. Os EUA têm de se explicar claramente com justificativas para esses assassinatos – afirmou Mustafa Qadri, pesquisador da Anistia que escreveu o relatório.
No segundo incidente, 18 homens e adolescentes – o mais jovem de 14 anos – foram mortos quando conversavam numa sombra, ao final de um dia de trabalho, na localidade de Zowi Sidgi, em julho de 2012.
Mais mortes de civis
Nesta terça-feira, relatório divulgado na capital norte-americana mostra que mísseis dos EUA, alguns lançados por aviões teleguiados, já mataram dezenas de civis também no Iêmen, em meio a operações dos EUA contra a presença da Al Qaeda no país, disse a entidade Human Rights Watch nesta terça-feira. Em um relatório de 96 páginas, a ONG detalhou seis ataques "não admitidos" dos EUA contra alvos no Iêmen, os quais claramente ou possivelmente violaram o direito internacional.
Um desses incidentes ocorreu em 2009, e os outros foram em 2012 e 2013, segundo a HRW. Eles mataram 82 pessoas, sendo 57 civis. O relatório da HRW sobre o Iêmen foi divulgado simultaneamente a uma pesquisa da Anistia Internacional sobre ataques com aviões teleguiados dos EUA no Paquistão. O mais grave dos ataques estudados pela HRW aconteceu em dezembro de 2009, quando a Marinha usou até cinco mísseis para bombardear uma aldeia.
Inicialmente o governo iemenita disse que 34 "terroristas" haviam sido mortos em um campo de treinamento, mas os investigadores iemenitas posteriormente concluíram, segundo a HRW, que apenas 14 militantes haviam sido mortos no ataque, junto com pelo menos 41 civis, sendo nove mulheres e 21 crianças.
Sem apoio
Enquanto vê sua imagem se desintegrar um pouco mais a cada ataque injustificado à população civil, os EUA também se complicam em questões como a guerra civil na Síria e no enfrentamento entre Israel e Palestina. Nesta manhã, o chefe de inteligência da Arábia Saudita disse a diplomatas europeus que o reino vai limitar as relações com os Estados Unidos em protesto contra a falta de ação de Washington sobre a Síria e a eventual reaproximação norte-americana com o Irã, disse uma fonte próxima à política saudita nesta terça-feira.
O príncipe Bandar bin Sultan disse aos diplomatas que os Estados Unidos se abstiveram de agir de forma eficaz sobre a crise na Síria e no conflito entre israelenses e palestinos, estão ficando cada vez mais perto de Teerã e não apoiaram os sauditas na defesa ao Barein quando este país enfrentou uma revolta contra o governo em 2011, disse a fonte.
Tradicional aliado dos EUA no Oriente Médio, Israel mantém o enfrentamento direto às manifestações ocorridas no Estado palestino. Forças israelenses mataram nesta terça-feira um militante palestino armado que era procurado por suposto envolvimento no ataque a um ônibus de Tel Aviv no ano passado, informou o serviço de segurança israelense Shin Bet. O grupo Jihad Islâmica disse que Mohammed Assi, de 28 anos, era um de seus membros.
O Shin Bet, responsável pela segurança interna de Israel, disse que o palestino foi morto numa troca de tiros com agentes de segurança que estavam em missão para prendê-lo perto do vilarejo de Bilin, na Cisjordânia ocupada. O militante era acusado de ter planejado o ataque a bomba que deixou 29 pessoas feridas em um ônibus em Tel Aviv em novembro de 2012.
A violência tem aumentando nas últimas semanas na Cisjordânia. Outros cinco palestinos foram mortos a tiros no território por soldados israelenses, e três israelenses morreram em confrontos e troca de tiros desde a retomada das negociações de paz israelo-palestinas, em julho.
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