Rio de Janeiro, 27 de Agosto de 2026

Ataques a computadores do governo alemão quase duplicaram em 2010

Terça, 28 de Dezembro de 2010 às 10:35, por: CdB

O Ministério do Interior da Alemanha está preocupado com o forte aumento dos ataques a computadores governamentais. O Departamento Federal de Proteção à Constituição (BfV, na sigla em alemão) registrou entre janeiro e setembro 1,6 mil ataques, a maioria deles é proveniente da China. Em todo ano de 2009, foram registrados 900 ataques. "Há um aumento acentuado nos chamados ataques eletrônicos a redes do governo alemão", disse na segunda-feira (27/12) um porta-voz do Ministério do Interior alemão.

O governo alemão planeja, por isso, a criação no ano que vem de um "Centro Nacional de Defesa Cibernética". O porta-voz do ministério acrescentou que o centro deve ser acoplado ao Serviço Federal de Segurança em Tecnologia da Informação e deverá cooperar com o BfV, o Serviço Federal de Informações (BND, na sigla em alemão), e também com outros órgãos do governo, da indústria e de serviços de internet. "Não será criado um novo órgão estatal", ressaltou o porta-voz. "A ideia é agrupar todo o know-how já existente no domínio da defesa cibernética".

O porta-voz do ministério confirmou, em parte, um artigo publicado por um jornal do conglomerado alemão de mídia WAZ em que um porta-voz do BfV é citado, afirmando que os agressores tentaram ter acesso a dados internos de caráter político, militar e econômico. Segundo a reportagem, por trás da maioria dos ataques estão órgãos governamentais chineses. O BfV observa essa tendência desde 2005.

Tentativas chinesas

As tentativas chinesas de infiltração para espionagem de dados internos acontecem por e-mail. Quando anexos são abertos, um programa espião é instalado no computador alemão e estabelece uma conexão com a China, para transmitir os dados recolhidos. O mais recente relatório de inteligência admite indiretamente o sucesso dos atacantes. "Os ganhos para o lado chinês parecem predominar", diz o documento.

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Tajani quer proteger know-how da indústria europeiaOs relatos de um aumento da espionagem eletrônica também devem ser do conhecimento do comissário para Indústria da União Europeia, Antonio Tajani. Ele propôs uma nova autoridade europeia para controlar a venda de tecnologias-chave para outros países. Assim, a Europa deve se proteger principalmente contra as companhias chinesas, que adquirem empresas na Europa para conseguirem acesso a tecnologias de ponta, segundo afirmou Tajani em entrevista publicada pela edição desta segunda-feira do jornal de economia alemão Handelsblatt  O modelo para tal entidade seria o Comitê de Investimentos Estrangeiros (CFIUS, da sigla em inglês) dos Estados Unidos.

"Devemos proteger o nosso conhecimento", disse o comissário Tajani. Ele afirmou ser necessária cautela especial principalmente em relação a tentativas de incorporação de empresas de tecnologia. Nesses casos, segundo ele, é necessário que as autoridades desconfiem. O italiano vê por trás da aquisição seletiva de empresas de alta tecnologia por chineses ou fundos estatais árabes "uma estratégia política contra a qual a Europa também tem de responder politicamente".

Sobretudo a China mostra interesse

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Rasmussen quer armar Otan contra ciberataquesEspecialmente alarmante é o interesse chinês em tecnologias-chave do Ocidente, afirmou Tajani. "Por isso, a venda de conhecimento de empresas europeias sempre é uma questão política", advertiu. A China dispõe de reservas cambiais de quase 2,6 trilhões de euros.

Os investimentos diretos da China no estrangeiro aumentaram neste ano em 12%, subindo para mais de 50 bilhões de dólares. Para o próximo ano, os especialistas esperam que os investimentos cheguem a 98 bilhões de dólares.

A China utiliza a maior parte dessa verba para garantir o acesso a matérias-primas importantes, seja na América Latina ou na África. Mas empresas ocidentais estão cada vez mais na mira dos chineses.

O planejado centro alemão de defesa cibernética deve, aliás, não apenas combater a espionagem industrial, mas também evitar os perigos de uma "guerra cibernética", ainda que nesse aspecto a Alemanha já esteja trabalhando em cooperação com seus aliados da Otan. Altos funcionários do setor de defesa em Berlim confirmaram que o governo alemão planeja erigir uma nova "linha virtual de defesa" com o centro de defesa cibernética.

Em maio passado, os EUA criaram um "Cyber Command" (cibercomando), responsável pela "quarta dimensão da guerra". O Reino Unido está se equipando cada vez mais no espaço virtual, segundo seu serviço de inteligência MI6. De acordo com o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, a aliança não apenas deve se defender em conjunto contra ataques militares convencionais por terra, ar ou mar, mas também contra ataques realizados através da internet.

Autor: Reinhard Kleber (md)
Revisão: Carlos Albuquerque

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