Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Ataque suicida mata ao menos 46 no norte do Iraque

Um terrorista suicida realizou um atentado em uma mesquita xiita da cidade de Mosul (norte do Iraque), durante um funeral, na quinta-feira, matando até 46 pessoas e ferindo dezenas em outro ataque contra o grupo religioso que venceu as eleições de janeiro. Testemunhas disseram que as vítimas pertenciam às mais diversas facções da etnicamente e religiosamente dividida sociedade iraquiana. (Leia Mais)

Quinta, 10 de Março de 2005 às 16:46, por: CdB

Um terrorista suicida realizou um atentado em uma mesquita xiita da cidade de Mosul (norte do Iraque), durante um funeral, na quinta-feira, matando até 46 pessoas e ferindo dezenas em outro ataque contra o grupo religioso que venceu as eleições de janeiro.

Testemunhas disseram que as vítimas pertenciam às mais diversas facções da etnicamente e religiosamente dividida sociedade iraquiana.

Inicialmente, uma autoridade policial em Bagdá havia dito que 30 pessoas tinham sido mortas no atentado, ocorrido no leste de Mosul -- uma cidade que se tornou um dos focos dos esforços norte-americanos para derrotar a insurgência iraquiana. Mas autoridades do principal hospital da cidade informaram mais tarde que o número de vítimas fatais já chegara aos 46.

Os insurgentes, em sua maioria sunitas, realizam ataques cada vez mais audaciosos contra xiitas e alvos governamentais em uma campanha para derrubar o governo iraquiano patrocinado pelos norte-americanos e para prejudicar a formação de um novo gabinete comandado pelos xiitas, grupo majoritário no país.

Em Bagdá, insurgentes vestidos de policiais mataram um oficial da polícia, ao parar o veículo dele em um falso posto de controle, perguntar-lhe o nome e depois atirar contra ele. A autoria da ação foi reivindicada pela Al Qaeda.

Mais tarde, a polícia encontrou os corpos de quatro soldados iraquianos mortos a tiros. No começo desta semana, no oeste do Iraque, já tinham sido encontrados 41 corpos -- alguns deles decapitados.

O governo interino do Iraque, aliado dos EUA, criou uma nova polícia, um novo Exército e um novo serviço de segurança. Mas muitos dizem que os insurgentes conseguem penetrar facilmente nesses quadros.

A violência atinge o país enquanto os políticos tentam formar um novo governo depois das eleições de 30 de janeiro, vencidas pelos xiitas. Durante o governo do ditador Saddam Hussein, membro da comunidade sunita, esse grupo religioso viveu oprimido.

A proposta de aliança entre a maior coalizão de partidos xiitas e partidos curdos pode não se concretizar devido a discordâncias em torno de questões centrais, disseram na quinta-feira políticos envolvidos nas negociações.

Os dois grupos possuem juntos dois terços das cadeiras no Parlamento, ou o necessário para formar um governo. Mas a falta de acordo sobre a distribuição de cargos deixa o país mergulhado em um vácuo de poder desde as eleições.

Mosul, a terceira maior cidade do Iraque e cuja população é composta majoritariamente de curdos e sunitas, viu-se atingida por vários ataques de guerrilhas desde novembro passado.

Depois do atentado de quinta-feira, dezenas de pessoas gravemente feridas foram hospitalizadas, contaram testemunhas.

O nível de tensão aumentou no norte do Iraque entre os três principais grupos que habitam a área, os xiitas, os curdos e os sunitas.

Os curdos, que desejam expandir sua região autônoma no norte, dominam a área e vêm encorajando os que fugiram dali durante o regime de Saddam a retornar.

Em Kirkuk, curdos que regressaram há pouco tempo entraram em choque com policiais iraquianos ao tentar reivindicar suas antigas terras. Dois membros da Guarda Nacional ficaram feridos.

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