Um terrorista suicida realizou um atentado em uma mesquita xiita da cidade de Mosul (norte do Iraque), durante um funeral, na quinta-feira, matando até 46 pessoas e ferindo dezenas em outro ataque contra o grupo religioso que venceu as eleições de janeiro.
Testemunhas disseram que as vítimas pertenciam às mais diversas facções da etnicamente e religiosamente dividida sociedade iraquiana.
Inicialmente, uma autoridade policial em Bagdá havia dito que 30 pessoas tinham sido mortas no atentado, ocorrido no leste de Mosul -- uma cidade que se tornou um dos focos dos esforços norte-americanos para derrotar a insurgência iraquiana. Mas autoridades do principal hospital da cidade informaram mais tarde que o número de vítimas fatais já chegara aos 46.
Os insurgentes, em sua maioria sunitas, realizam ataques cada vez mais audaciosos contra xiitas e alvos governamentais em uma campanha para derrubar o governo iraquiano patrocinado pelos norte-americanos e para prejudicar a formação de um novo gabinete comandado pelos xiitas, grupo majoritário no país.
Em Bagdá, insurgentes vestidos de policiais mataram um oficial da polícia, ao parar o veículo dele em um falso posto de controle, perguntar-lhe o nome e depois atirar contra ele. A autoria da ação foi reivindicada pela Al Qaeda.
Mais tarde, a polícia encontrou os corpos de quatro soldados iraquianos mortos a tiros. No começo desta semana, no oeste do Iraque, já tinham sido encontrados 41 corpos -- alguns deles decapitados.
O governo interino do Iraque, aliado dos EUA, criou uma nova polícia, um novo Exército e um novo serviço de segurança. Mas muitos dizem que os insurgentes conseguem penetrar facilmente nesses quadros.
A violência atinge o país enquanto os políticos tentam formar um novo governo depois das eleições de 30 de janeiro, vencidas pelos xiitas. Durante o governo do ditador Saddam Hussein, membro da comunidade sunita, esse grupo religioso viveu oprimido.
A proposta de aliança entre a maior coalizão de partidos xiitas e partidos curdos pode não se concretizar devido a discordâncias em torno de questões centrais, disseram na quinta-feira políticos envolvidos nas negociações.
Os dois grupos possuem juntos dois terços das cadeiras no Parlamento, ou o necessário para formar um governo. Mas a falta de acordo sobre a distribuição de cargos deixa o país mergulhado em um vácuo de poder desde as eleições.
Mosul, a terceira maior cidade do Iraque e cuja população é composta majoritariamente de curdos e sunitas, viu-se atingida por vários ataques de guerrilhas desde novembro passado.
Depois do atentado de quinta-feira, dezenas de pessoas gravemente feridas foram hospitalizadas, contaram testemunhas.
O nível de tensão aumentou no norte do Iraque entre os três principais grupos que habitam a área, os xiitas, os curdos e os sunitas.
Os curdos, que desejam expandir sua região autônoma no norte, dominam a área e vêm encorajando os que fugiram dali durante o regime de Saddam a retornar.
Em Kirkuk, curdos que regressaram há pouco tempo entraram em choque com policiais iraquianos ao tentar reivindicar suas antigas terras. Dois membros da Guarda Nacional ficaram feridos.