Um ataque suicida dentro de um microônibus cheio de recrutas do Exército matou 12 pessoas e feriu sete em Bagdá nesta segunda-feira, afirmou a polícia.
A maioria das vítimas era de jovens recrutas que haviam entrado no microônibus diante da base de Muthanna, no centro de Bagdá. A base já foi alvo de ataques insurgentes da minoria sunitas, inclusive de islamitas da Al Qaeda, que são contra o governo xiita apoiado pelos Estados Unidos.
O suicida detonou o cinto de explosivos pouco depois de subir no ônibus, perto da base. Horas depois, uma bomba de beira de estrada que visava uma patrulha militar norte-americana matou três civis no oeste de Bagdá.
Os Estados Unidos entregaram na semana passada o controle operacional do Exército iraquiano ao premiê Nuri al-Maliki. O premiê adiou na segunda-feira sua primeira visita oficial a líderes xiitas no Irã, mas não foi esclarecido o motivo do adiamento.
Os dois países de população predominantemente xiita se enfrentaram numa guerra sangrenta nos anos 1980, durante o regime de Saddam Hussein, que é sunita. Os dois países se reaproximaram com a ascensão dos xiitas ao poder no Iraque.
Os Estados Unidos e outros países árabes, dominados por sunitas, vêem com desconfiança o aumento da influência não-árabe do Irã.
Na segunda-feira, o ex-presidente Saddam Hussein voltou ao banco dos réus em Bagdá, onde está sendo julgado pelo assassinato de milhares de curdos em 1988. Uma médica iraquiana que vive nos EUA exigiu indenização das empresas estrangeiras que, segundo ela, forneceram as substâncias químicas para que Saddam intoxicasse rebeldes curdos.
Saddam aproveitou sua presença no tribunal, depois de um recesso de três semanas, para intervir numa questão política que dividiu curdos e árabes na semana passada -- sobre a possível alteração da bandeira iraquiana. O ex-presidente defendeu a manutenção da bandeira, e o juiz acabou desligando seu microfone.
No Parlamento, uma lei polêmica sobre o federalismo teve sua votação adiada no domingo. Os sunitas temem que ela isole as reservas de petróleo no norte e no sul do país. O Parlamento tem até o dia 22 de outubro para aprovar uma lei que defina como as 18 províncias iraquianas podem se unir entre si para formar regiões federativas autônomas.
Maliki, que assumiu o cargo há quatro meses, já disse ter a expectativa de que o Exército controle a maioria do território iraquiano, onde ainda morrem cerca de 100 pessoas por dia devido à violência, até o fim do ano.