A Força de Coalizão bombardeou uma escola na província afegã de Paktika, local suspeito de abrigar militantes da Al-Qaeda no leste do Afeganistão, matando sete crianças e diversos insurgentes, informa um comunicado do Exército norte-americano nesta segunda-feira. Os militares pediram desculpas pelo ataque e alegaram que elas foram obrigadas pelos combatentes talebã a permanecer dentro do prédio.
A ação apoiado pelas tropas afegãs ocorreu no domingo, em que um homem-bomba atacou um ônibus da academia de polícia em Cabul. No ataque insurgente mais violento desde a invasão conduzida pelos Estados Unidos, 35 pessoas morreram.
O ataque da tropas de Coalizão alvejou um lugar que abrigava também uma mesquita e uma escola islâmica, no distrito de Zarghun Shah da província de Paktika.
"As Forças de Coalizão confirmou a presença de atividades suspeitas no local antes de realizar a ação da Força Aérea", informa o comunicado.
Informações iniciais dizem que sete crianças da escola foram mortas no ataque e que vários militantes também morreram. Dois supostos insurgentes foram detidos.
"Nós estamos tristes pelas vidas dos inocentes perdidas como resultado da covardia dos militantes", disse o major Chris Belcher, porta-voz da Coalizão. "Este é um outro exemplo de como a Al-Qaeda utiliza o status de proteção da mesquita, e também civis inocentes, como escudo".
O comando norte-americano, citando testemunhos, alegou em nota que os insurgentes, supostamente ligados à Al Qaeda, empurraram e bateram nas crianças que pretendiam sair da escola, obrigando-as a ficar no lugar.
"As forças da Coalizão achavam que não havia crianças dentro ou em volta do local, e ordenaram o bombardeio pensando que o alvo estava no interior", acrescentou o texto.
O ataque aéreo aconteceu horas após um homem-bomba atacar um ônibus cheio de policiais, matando 35 e ferindo outros 52.
No final de abril morreram, vítimas de um bombardeio, 51 civis na província de Herat (oeste). Em 8 de maio, outros 21 civis foram mortos em operação na província de Helmand (sul).
As operações criaram um forte mal-estar para as forças internacionais que culminou numa resolução aprovada pelo Senado afegão, exigindo o fim de todas as operações que não respondam a um ataque prévio ou não tenham sido consultadas previamente com o Exército ou a polícia do país.
A Isaf (Força Internacional de Assistência à Segurança) que a Otan dirige no Afeganistão não ocultou então que os ataques com vítimas civis das forças especiais americanos, que não estão sob comando aliado, põem à população contra si e dificultam seu mandato.
Combates
No sul do país, três soldados da coalizão e seu intérprete afegão morreram quando uma bomba explodiu, segundo as forças americanas informaram também nesta segunda-feira.
As mortes ocorreram depois que um artefato explosivo detonou perto do veículo em que viajavam na província de Kandahar no domingo, disse nota oficial.
A polícia afegã e forças da coalizão também travaram longas batalhas com militantes nas províncias de Kandahar e Helmand, de acordo com a coalizão.
Segundo a nota, muitas dezenas de militantes foram mortos em Helmand, mas não há confirmação independente.