Um grupo de homens armados com machados, facões e canos atacou cerca de 300 trabalhadores que protestavam por não terem recebido pagamento. O confronto aconteceu na sexta-feira, no canteiro de obras de uma usina hidrelétrica pública na cidade de Heyuan, em Guangdong, no sul da China.
Pelo menos uma pessoa morreu, e outras seis estão em estado grave.
O ataque aconteceu às margens do rio Dongjiang, durante a greve dos trabalhadores que alegam não receber há mais de quatro meses.
A empresa Fuyuan Energy, contratada pelo governo para administrar a hidrelétrica, teria contratado os homens para dispersar a multidão.
De acordo com o jornal South China Morning Post, o proprietário da empresa é Miu Shouliang, um importante integrante do Partido Comunista.
Miu Shouliang negou que a empresa estivesse devendo pagamentos aos trabalhadores, mas não quis comentar o ataque.
Grupo armado
Conforme os relatos das vitimas, havia muitos agressores armados. A agência estatal chinesa Xinhua estima que 200 homens tenham participado do confronto.
“A primeira horda de 50 homens veio com pás, a segunda com machados, facões e canos de metal. E vinham ainda outros atrás deles”, disse o trabalhador Liu Gangqing ao jornal local Chongquing Morning Post.
Um porta-voz do governo local minimizou a gravidade do incidente afirmando que o conflito envolvera apenas 30 pessoas e que se tratava de um problema entre duas empresas.
Segundo a versão do porta-voz, a Qiutian Construction, uma empresa subcontratada para fornecer mão-de-obra à Fuyuan Energy, teria mobilizado cem trabalhadores para pressionar a administradora da hidrelétrica a pagar indenizações por equipamentos perdidos nas enchentes do verão do ano passado.
Troca de acusações
A Qiutian Construction não teria repassado aos trabalhadores os pagamentos feitos pela Fuyuan Energy.
Por outro lado, a Qiutian Construction reclama que a administradora da hidrelétrica deve 30 milhões de yuans (R$7,6 milhões) e que não pagou salários aos funcionários, porque simplesmente não recebeu nada da Fuyuan Energy.
O ministro das Obras Públicas, Wang Guangtao, determinou a abertura de uma investigação para apurar os responsáveis pelos ataques aos trabalhadores.
Até o momento, quatro suspeitos ligados à Fuyuan Energy foram presos, inclusive um segurança do canteiro de obras.