Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Ata, posicionamento do Tesouro e Fed movimentam semana

Segunda, 21 de Março de 2005 às 08:24, por: CdB

Definições na área política, a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e provável elevação do juro americano de curto prazo pelo Federal Reserve (Fed) devem catalisar a atenção do mercado financeiro na semana mais curta pelo feriado na sexta.

A encruada reforma ministerial - segunda do governo Lula - é esperada pelo mercado para segunda ou terça-feira. A apresentação na Câmara da nova versão da Medida Provisória 232, amenizando o impacto das medidas que aumentam a carga tributária, também gera expectativa.

Mas impacto operacional tende a ser provocado pela ata do Copom, onde o Banco Central (BC) terá a chance de indicar a manutenção do aperto monetário iniciado em setembro ou a transição para a longa estabilidade do juro básico - Selic.

Este é o foco de maior interesse do mercado, também voltado para o Comitê de Mercado Aberto do Fed que se reúne na terça para discutir o juro nos Estados Unidos, na esteira de dez dias pautados por ampla volatilidade dos "Treasuries" de 10 anos -"benchmark" do mercado internacional de renda fixa.

Não estão previstos movimentos relevantes de moeda no mercado aberto, o que não significa que BC e Tesouro ficarão de braços cruzados. Grandes bancos aguardam um posicionamento das autoridades monetárias, porque a última semana foi recheada de decisões inesperadas.

Na terça, o BC decidiu suspender o leilão de "swap" invertido que era aguardado para a quarta-feira. Na quinta, o Tesouro suspendeu os leilões de venda de títulos com retorno prefixado - LTN e NTN-F.

Sinal vermelho

Após avaliar as condições de mercado, o BC avisou em nota que não faria a venda de "swap" invertido, em que o BC é comprador de correção cambial, promovida semanalmente desde o começo de fevereiro. No último leilão, feito na semana anterior, o BC já tinha dado um sinal diferente. Vendeu 76 % da oferta total de 40 mil contratos de "swap" -montante equivalente a 1,48 bilhão de dólares.

Em seis leilões de "swap" invertido, o BC enxugou a exposição cambial do governo em cerca de 8,73 bilhões de dólares. Na quinta, o Tesouro sequer colocou LTN e NTN-F à venda, justificando a decisão pela "excessiva volatilidade do mercado doméstico de renda fixa".

Na sexta, o BC interrompeu a oferta de LTN de sua carteira com vencimento em julho de 2005.

Política ativa

Esse tipo de operação do BC tem o objetivo de gerenciar a liquidez do sistema financeiro. O BC vendeu LTN de prazo mais longo - sem afetar o estoque de dívida pública - durante sete semanas. O resultado foi a saída de R$ 13 bilhões do curtíssimo prazo.

O BC manteve, contudo, as operações de venda de papéis federais com compromisso de recompra ao final de 1 e 3 meses e as intervenções "overnight". Estas intervenções viabilizam o enxugamento rápido de reais excedentes nas reservas bancárias ou o repasse de reais às instituições, quando as reservas estão em volume inferior ao estoque de títulos a ser financiado no mercado aberto.

Reserva multiplica reais

O BC vem administrando cerca de R$ 55 bilhões aplicados em dívida pública com vencimento entre 1 dia e 3 meses. Em mês fechado, este indicador de liquidez ou de sobra de moeda nos bancos chegou a R$ 85,3 bilhões em maio passado e superou R$ 100 bilhões em alguns momentos em 2004.

A queda dessa cifra pela metade foi possível com a colocação líquida de títulos pelo Tesouro e pelo impacto contracionista do superávit primário. E se não fossem as compras de dólares pelo BC no mercado interbancário, desde 6 de dezembro, a sobra de reais seria bem menor.

A acumulação de reservas internacionais aumenta a disponibilidade de reais que custa taxa de juro para ser administrada. Esse juro é assegurado pelo BC ou pelo Tesouro na venda definitiva de títulos.

Alto custo

A sétima elevação consecutiva da Selic - agora a 19,25% e a po

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