Rio de Janeiro, 15 de Maio de 2026

Astronautas fazem segunda caminhada no espaço

Segunda, 01 de Agosto de 2005 às 07:23, por: CdB

Dois astronautas saíram do ônibus Discovery nesta segunda-feira para consertar um giroscópio (estabilizador) da Estação Espacial Internacional, na segunda das três caminhadas espaciais planejadas nesta missão, ou quatro, caso a Nasa decida realizar uma extra para consertar o isolamento térmico da nave.

O norte-americano Steve Robinson e o japonês Soichi Noguchi devem passar seis horas e meia retirando o giroscópio quebrado da estação, onde o Discovery está acoplado a 352 quilômetros de altura sobre a Terra. A tripulação levou um novo giroscópio para ser instalado.

- Ah, fora da quarentena - brincou Robinson ao sair da nave.

- Posso vê-los daqui pela escotilha de cima.Vocês parecem bem. - afirmou a comandante Eileen Collins aos astronautas. 

Os giroscópios servem para manter a estação, de 200 toneladas, em sua posição determinada. Apenas dois dos quatro estavam funcionando antes da chegada do Discovery. Robinson e Noguchi consertaram um dos equipamentos quebrados na sua primeira caminhada espacial, no sábado.

A estação, que custou 945 bilhões de dólares, pode se manter apenas com dois giroscópios. Mas, se tiver apenas um, os tripulantes precisam acionar os foguetes de estabilização, que queimam um combustível precioso.

Este é o primeiro vôo de um ônibus espacial desde o acidente com o Columbia, em fevereiro de 2003. É também o primeiro ônibus a se acoplar à estação desde novembro de 2002.

A terceira caminhada espacial está prevista para quarta-feira, quando os astronautas devem instalar uma plataforma de armazenamento na parte de fora da estação. Uma tarefa inédita - consertar o isolamento térmico do próprio ônibus - pode ser realizada na próxima missão ou em uma quarta caminhada, na sexta-feira, dependendo da decisão que a Nasa tomar.

Imagens do Discovery após seu lançamento, na semana passada, mostraram que duas tiras de um "enchimento" que fica entre as placas antitérmicas da barriga da Nasa formam uma saliência de mais de dois centímetros.

Os gerentes da Nasa temem que esses "calombos" alterem a aerodinâmica da nave e aumentem sua temperatura em até 25 por cento quando da reentrada na atmosfera terrestre, marcada para 8 de agosto.

A queda de uma espuma de isolamento térmico do tanque da nave atingiu a asa do Columbia durante o lançamento, em janeiro de 2003, e provocou seu superaquecimento e a explosão 16 dias depois. Todos os sete astronautas a bordo morreram.

O deslocamento do enchimento já havia sido detectado em missões anteriores, sem causar maiores problemas, mas o subgerente do programa de ônibus espaciais, Wayne Hale, disse que os engenheiros estão analisando os possíveis riscos e a possibilidade de retirar ou lixar o material ainda durante a missão.

- O acidente com o Columbia nos fez perceber que estávamos jogando roleta russa com os tripulantes - disse ele. Depois do desastre, a Nasa gastou 1 bilhão de dólares para melhorar a segurança dos ônibus e criou equipamentos que permitem inspecionar as naves em órbita.

Vídeos mostraram pedaços da espuma antitérmica caindo do tanque durante o lançamento do Discovery, o que levou a Nasa a suspender novos vôos até a resolução do problema.

O ônibus sofreu danos pequenos ao seu isolamento térmico, e a saliência no preenchimento não parece ser resultado do impacto da espuma.

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