O astronauta veterano John Glenn criticou os planos do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, de retomar os vôos à Lua e preparar missões com direção a Marte. Em uma intervenção feita ante a comissão presidencial, Wright Patterson, da Força Aérea dos Estados Unidos em Ohio, o primeiro americano a orbitar a Terra em uma nave espacial, disse que esses planos são um desperdício de recursos e que reduzem o apoio dado aos cientistas que participam dessas missões.
Glenn, um ex-senador democrata octogenário, deu três voltas ao redor da Terra, no dia 20 de fevereiro de 1962, em um vôo que durou quatro horas e 55 segundos. Em 1998, Glenn, com 77 anos, transformou-se no mais velho astronauta a participar de uma missão científica realizada pela nave Discovery.
Segundo ele, os planos de Bush privam a Estação Espacial Internacional (ISS) de um ambicioso programa de pesquisas científicas, limitando o que é aplicável ao programa de retorno à Lua e à preparação das missões a Marte. A montagem da ISS, que devia ser concluída em 2005, é uma tarefa conjunta dos EUA, da Agência Espacial Européia, da Rússia, do Japão e do Canadá e custará cerca de US$ 90 bilhões.
Glenn acrescentou que, com a redução das pesquisas científicas atribuídas à ISS, a Nasa economizará apenas US$ 2,5 milhões. "Temos projetos que devem ser realizados e que aguardam confirmação, projetos nos quais muita gente - cientistas, laboratórios e empresas - gastou milhões de dólares", disse. "Isto é um golpe para nossos cientistas, que tinham depositado sua fé na Nasa e para cientistas dentro da agência espacial que dedicaram anos e anos neste trabalho", afirmou.
No início deste ano, Bush anunciou um projeto para enviar uma missão tripulada à Lua entre 2015 e 2020. O plano, que inclui a retirada das atuais naves espaciais, delineia a construção de uma base permanente na Lua que seria a plataforma para futuras missões a Marte. O presidente indicou que para essa tarefa seriam designados nos próximo cinco anos US$ 12 bilhões, procedentes dos recursos que a agência espacial recebe anualmente.
"A Humanidade se vê atraída pelos céus da mesma forma que fomos atraídos por terras desconhecidas através dos mares. Elegemos a exploração espacial porque, ao fazê-lo, melhoramos nossas vidas e elevamos o espírito nacional", disse o presidente.
Glenn lamentou que esses planos deixem encobertas as atividades científicas que estão sendo feitas atualmente na Estação Espacial Internacional. "Agora, vamos deixar que outras nações a façam. Elas serão as beneficiadas. Não acho que isso seja correto. Acho que é um erro. Por alguns dólares a mais poderíamos dar prosseguimento à pesquisa", assinalou.
O ex-astronauta sugeriu às autoridades da agência espacial que ponderem cuidadosamente os planos para converter a Lua em uma plataforma para viagens a Marte. "Estariam fazendo um Cabo Canaveral na Lua. Seria menor, mas mais complexo. Me parece que o indicado é a viagem direto a Marte", disse.