Rio de Janeiro, 26 de Janeiro de 2026

Associação de boxe afasta árbitros e juízes em meio a investigação

Quinta, 06 de Outubro de 2016 às 10:36, por: CdB

O torneio olímpico de boxe, em agosto, foi alvo de uma polêmica em relação a um novo sistema de pontuação, e alguns boxeadores derrotados alegaram que tinham sido roubados pela arbitragem

Por Redação, com Reuters - de Londres/Rio de Janeiro:

A Associação Internacional de Boxe Amador (Aiba) afastou todos os 36 árbitros e juízes utilizados durante a Olimpíada do Rio de Janeiro. Até que uma investigação seja concluída, informou a entidade nesta quinta-feira.

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A Associação Internacional de Boxe Amador (Aiba) afastou todos os 36 árbitros e juízes utilizados durante a Olimpíada do Rio de Janeiro

O torneio olímpico de boxe, em agosto, foi alvo de uma polêmica. Em relação a um novo sistema de pontuação, e alguns boxeadores derrotados alegaram que tinham sido roubados pela arbitragem.

O irlandês Michael Conlan, campeão mundial de peso galo. Foi um dos primeiros críticos a vociferar contra a arbitragem no Rio, chamando os árbitros da Aiba de "ladrões". Depois de sua controversa derrota por pontos para o russo Vladimir Nikitin nas quartas de final.

Rio 2016

– Embora a maioria das competições de boxe da Rio 2016 tenha sido recebida muito positivamente... um pequeno número de decisões em debate indicou que reformas adicionais nos procedimentos de seleção de árbitros e juízes da Aiba são necessárias – disse a entidade em um comunicado.

– Os resultados de uma investigação específica de árbitros e juízes, atualmente em andamento, permitirá à Aiba analisar plenamente que ação precisa ser adotada.

– Nesse meio tempo, foi decidido que todos os 36 árbitros e juízes que foram usados nos Jogos não irão atuar em nenhum evento da Aiba. Até a investigação ter chegado à sua conclusão, além de medidas adicionais imediatas adotadas pelas comissões.

A Aiba descartou um número desconhecido de árbitros e juízes durante a competição depois de descobrir que "menos de um punhado" das decisões das 239 lutas analisadas não estiveram no nível esperado.

A entidade também encaminhou seu diretor executivo, o francês Karim Bouzidi, para uma nova função.

Acidentes em desmontagem

Um operário morreu e outro perdeu uma perna em acidentes durante a desmontagem de equipamentos dos Jogos Olímpicos do Rio. Informou na quarta-feira à agência inglesa de notícas Reuters.

Uma fonte próxima ao assunto, que teme por novas ocorrências. Devido a dificuldades enfrentadas por prestadores de serviço em meio a atrasos no pagamento do Comitê Rio 2016.

O Comitê Rio 2016 confirmou os acidentes e a morte de uma pessoa. Ele disse que a responsabilidade por possíveis falhas é das empresas contratadas para realizar os serviços.

Segundo a fonte, que trabalha para uma empresa contratada e pediu anonimato, a segurança dos trabalhadores está fragilizada. E ameaçada desde que o Comitê dispensou recentemente mais de 100 fiscais de segurança do trabalho. Eles seriam responsáveis por acompanhar a desmontagem de instalações dos Jogos.

Operário

Nos últimos dias, um operário morreu eletrocutado num canteiro de apoio montado nas proximidades de um shopping da Zona Oeste do Rio. No chamado pólo da Barra da Tijuca, e outro teve uma perna amputada depois de se envolver em um acidente com um poste de luz. Este poste fazia parte da arena de vôlei de praia, em Copacabana.

O diretor de comunicação do Comitê Rio 2016, Mario Andrada, disse que os acidentes ocorreram por possíveis falhas nos canteiros. As responsabilidade dos contratados pelo Comitê para realizar a desmontagem dos locais dos Jogos.

– A gente não tinha nenhum controle sobre essas ocorrências; foram em instalações nossas em operações terceirizadas e nos dois acidentes ocorreram erros primários – afirmou. “A culpa não é nossa, é de quem contrata os funcionários, seja ele de menor ou maior qualidade.“

MPT

Para o Ministério Público do Trabalho, o Comitê não pode se eximir de responsabilidades. Por ter terceirizado os serviços dos Jogos. “Quando você contrata um terceirizado. Você tem que fiscalizar e ficar atento para saber se está cumprindo a lei... contratar alguém menos preparado e qualificado.

No fim das contas, chegando ao Judiciário, há responsabilização sim do contratante (Comitê)”, afirmou à Reuters a procuradora do MPT Viviann Mattos.

A fonte argumenta que os acidentes podem estar de alguma forma relacionados ao atraso do Comitê Rio 2016 no pagamento de alguns fornecedores e prestadores de serviço contratados para atuar nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos.

Segundo a fonte, é natural que com o atraso, as empresas passem a empregar pessoas menos capacitadas e a usar equipamentos mais baratos, o que aumenta o risco de acidentes.

– A Olimpíada foi um sucesso, mas o pós eu temo que possa terminar em tragédia. Temo que mais acidentes ocorram, ainda tem muito trabalho em altura e perigoso – declarou a fonte à agência inglesa de notícias Reuters.

– Há menos fiscalização com a segurança do trabalho, já que mais de 100 foram demitidos. Há uma pressa das empresas em finalizar a desmontagem para executar novos serviços para outros clientes e há uma desmotivação de quem trabalha, que não sabe quando vai poder receber – acrescentou.

Sem Calote

Na quarta-feira, funcionários de uma empresa terceirizada fizeram um protesto na porta do Comitê, no Rio. Para chamar a atenção para os atrasos. Procurado, o Comitê Rio 2016 admitiu que há uma descontinuidade no pagamento de alguns prestadores de serviço. Mas o diretor de comunicação garantiu “que não haverá calote“ a nenhum fornecedor.

Andrada argumentou que os atrasos pontuais têm a ver com a elevada desmobilização de contratados pelo Comitê. No momento trabalha com cerca de 400 pessoas que não estariam dando conta de atender os pagamentos dos mais de 20 mil fornecedores que atuaram nos Jogos.

– O número de fornecedores é muito grande, as medições dos contratos são muito complexas. Temos recursos grandes para receber do COI (Comitê Olímpico Internacional) e patrocinadores em novembro e vamos honrar todos os compromissos – disse ele.

O Comitê garante que vai fechar as contas dos Jogos no “zero a zero”. Ele rechaçou uma correlação entre os atrasos nos pagamentos. E um risco maior para a operação de desmontagem das arenas e equipamentos.

– É muito cômodo para o prestador de serviço dizer que a culpa é do Comitê. A gente contratou empresas e o fornecedor que tem que cuidar do seu funcionário. Não tem fluxo de caixa que justifica um fornecedor deixar seu funcionário trabalhar sem segurança – disse Andrada.

Antes do Jogos, a Superintendência Regional do Trabalho já havia chamado a atenção para irregularidades na preparação do evento que resultaram na morte de 11 pessoas.

As mortes aconteceram em obras de instalações ou de legado dos Jogos entre os anos de 2013 e 2016. As ocorrências foram registradas em obras como linha 4 do metrô, vias expressas, museus e outros.

– Se fôssemos deixar simplesmente na mão dos organizadores, o que a gente ia ver da parte dos organizadores era uma espécie de lavar as mãos – disse a procuradora do MPT.

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