Após aprovação de anistia na CCJ da Câmara, categoria ainda quer solução salarial
Por: Leticia Cruz, Rede Brasil Atual
Publicado em 30/06/2011, 18:29
Última atualização às 18:29
TweetSão Paulo - O movimento dos bombeiros do Rio de Janeiro conseguiu avanços significativos, na visão de Nilo Guerreiro, presidente da Associação de Cabos e Soldados do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro. Ele avalia, em entrevista à Rede Brasil Atual, que o governador Sérgio Cabral "recuou para pensar melhor" e está tentando analisar a situação dos militares. A adoção de uma postura mais flexível era uma condição reivindicada desde o início das mobilizações da categoria.
"A coisa está caminhando. O governo assinou uma condição de diálogo e de recuar para conceder algumas coisas", avalia Guerreiro. "Estamos aguardando um final feliz para todos nós. Na conta de tudo isso está a sociedade que paga seus impostos e que tem todo o direito de ter uma qualidade de serviço público à altura", observou Guerreiro.
Prestes a completar um mês de mobilização da greve, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ) aprovou, nesta quinta-feira (30), a anistia aos 439 bombeiros detidos pela invasão do quartel da corporação. A proposta segue para aprovação do Senado. No início do mês, os bombeiros conquistaram o anúncio do adiantamento do reajuste salarial de 5,58%, de dezembro para julho, junto aos policiais militares, policiais civis e agentes penitenciários. O aumento foi sancionado na quarta (29).
"É um avanço considerável, uma vez que as coisas estão sendo reconduzidas ao seu rumo normal. O governo está acatando algumas posições e entendendo que realmente urge a necessidade de rever os salários", comemora Guerreiro. Ele lembra, ainda, que os benefícios devem ser estendidos aos inativos. "Eles não podem em nenhum momento ficar de fora", pontuou.
Na quarta, Sérgio Cabral admitiu à rádio CBN ter errado ao classificar os bombeiros como "vândalos" e reconheceu que o clima, no momento, é de "desarmar o espírito".
PEC 300Para o dirigente, o momento é de concentrar forças pelo avanço da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 300, que remete à lei federal que definiria piso da remuneração dos policiais civis, militares e bombeiros de todos os estados. O piso mínimo seria de R$ 3,5 mil e, o maior, de R$ 7 mil.
"Não adianta resolver a questão de um estado apenas, nós temos uma federação. A PEC 300 é o ideal neste momento para dar o contorno em todos estes focos em vários estados", afirma. O impasse sobre a situação dos militares cria uma "imagem ruim" do país, que está prestes a sediar a Copa do Mundo.
O movimento dos bombeiros e guarda-vidas no Rio de Janeiro foi iniciado no final de abril. Eles protestavam contra o piso de R$ 950 mensais, considerado o salário mais baixo do país. Eles pediam ao governo reajuste que contemplasse um piso mínimo de R$ 2 mil líquidos. Com o apoio de parlamentares da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), entidades sindicais e de boa parte da população, a categoria conseguiu manter negociações junto ao novo comandante da corporação, Sérgio Simões.
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