Desde terça-feira, o Brasil determinou que os importadores sejam obrigados a pedir licenças de importação não automáticas – as quais só são concedidas depois de análises técnicas do governo. O processo de importação, nesses casos, pode demorar até 60 dias.
Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA), a reação do governo brasileiro é uma resposta a Argentina, que tem dificultado a entrada de nossos produtos em seu mercado. De acordo com a entidade, o Brasil tem 2,5 mil máquinas agrícolas paradas nos pátios das alfândegas da Argentina.
Mas não são só os produtos automotivos brasileiros que aguardam a liberação não automática na Argentina. Até ovos de Páscoa fazem parte de uma lista de produtos que sofrem restrições naquele país. Para piorar, recentemente, a relação de produtos brasileiros que não precisavam de licença prévia para entrar na Argentina passou de 400 para 600 itens.
Três recados foram dados
Como os automóveis de passageiros representam quase um quarto das mercadorias vindas da Argentina para cá, a medida brasileira pretende ser um recado duro à Argentina. Não é de hoje que esses atritos estão em pauta. A Folha de S. Paulo traz matéria hoje ressaltando que a presidenta Dilma Rousseff em três ocasiões mandou comunicados à Casa Rosada, queixando-se da retenção de produtos brasileiros nas alfândegas do país. Neles, a nossa presidenta expressou sua “grave preocupação” com o andar das negociações.
Todo o apoio à atitude do governo brasileiro de ter mão firme com a Argentina - e com todo país que venha a discriminar nossas exportações. No caso do nosso vizinho cisplatino, é particularmente grave o fato de estar se recusando a qualquer tipo de negociação. Não tem como não retaliar. Assim é a vida.
Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2026
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