Lewis Libby, o chefe de gabinete do vice-presidente dos Estados Unidos Dick Cheney, foi indiciado na sexta-feira pelos crimes de obstrução da justiça, perjúrio e por dar declarações falsas após dois anos de uma investigação sobre o vazamento do nome de uma agente secreta da CIA (agência de inteligência do país). Libby, que pode ser condenado a até 30 anos de prisão, renunciou ao cargo minutos depois de a denúncia ter sido entregue a uma corte federal em Washington.
O principal articular político do presidente George W. Bush, Karl Rove, não foi indiciado junto com Libby. Mas o promotor Patrick Fitzgerald deixou claro para Rove que ele continuava sob investigação e sob a ameaça de ser alvo de um processo, disseram advogados. O indiciamento de Libby atinge um governo já desgastado devido à demora na resposta ao furacão Katrina, à persistente violência da guerra no Iraque e à indicação, feita por Bush e depois retirada, de Harriet Miers para membro da Suprema Corte dos EUA.
O dólar regiu bem à notícia, empurrando o euro para 1,2049 por dólar e sugerindo algum alívio por parte dos mercados pelo fato de a denúncia ter atingido apenas Libby. Na qualidade de chefe de gabinete de Cheney, Libby desempenhou um importante papel nos bastidores durante a preparação para a invasão do Iraque. O assessor do vice-presidente foi acusado de cinco crimes relacionados a supostas mentiras contadas por ele a respeito de quando e de como recebeu e repassou para repórteres informações sobre a agente secreta Valerie Plame.
A identidade de Plame chegou aos meios de comunicação depois de o marido dela, o diplomata Joseph Wilson, ter acusado o governo Bush de adulterar relatórios sobre o Iraque no pré-guerra a fim de justificar uma ação militar. Wilson disse que o vazamento de identidade foi feito de propósito para erodir sua credibilidade. Libby não foi acusado de ter revelado o nome da agente. Se for considerado culpado, o ex-chefe de gabinete de 55 anos pode ser condenado a até 30 anos de prisão e a uma multa de 1,25 milhão de dólares, disseram promotores.
Libby é acusado de ter mentido a agentes do FBI (polícia federal) quando entrevistado nos dias 14 de outubro de 2003 e 26 de novembro de 2003, de cometer perjúrio ao testemunhar diante de um grande júri nos dias 5 e 24 de março de 2004 e de obstruir a justiça ao tentar dificultar as investigações realizadas pelo grande júri.
- Quando cidadãos testemunham diante de um grande júri, eles são obrigados a dizer a verdade. A exigência de dizer a verdade se aplica a todos os cidadãos igualmente, incluindo pessoas que mantém altas posições no governo - afirmou Fitzgerald em um comunicado.
Na denúncia, promotores afirmam que Libby soube por meio de Cheney, no dia 12 de junho de 2003, que a mulher de Wilson era uma agente secreta da CIA. Pessoas familiarizadas com o caso disseram que Rove pode também ser acusado de perjúrio por não ter dito ao grande júri que havia conversado com um repórter da revista Time a respeito de Plame.
- A investigação terminou? Não terminou - disse o promotor Patrick Fitzgerald em uma entrevista coletiva.