Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Assembléia Geral da ONU apóia Annan em meio a pressões

Quarta, 08 de Dezembro de 2004 às 17:21, por: CdB

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, foi aplaudido de pé na quarta-feira na Assembléia Geral da entidade, depois das pressões de parlamentares conservadores norte-americanos por sua renúncia.

Annan vem sendo acusado por alguns republicanos de permitir a corrupção no programa petróleo-por-comida, que era administrado pela ONU no Iraque e supervisionado pelo Conselho de Segurança.

"Interpreto essa longa ovação como um reconhecimento de suas atitudes e também como uma demonstração de confiança em você e no trabalho que vem fazendo à frente das Nações Unidas", disse o presidente da assembléia, Jean Ping, do Gabão, depois dos aplausos, que duraram quase um minuto.

"Num mundo que virou refém da dúvida, da confusão e às vezes do confronto, você sempre se manteve como um ponto de referência e como uma fonte de sabedoria e inspiração para milhões de pessoas em todo o mundo", disse Ping.

Vários líderes europeus, asiáticos e africanos já haviam saído em defesa de Annan. O diplomata norte-americano Patrick Kennedy estava entre os que aplaudiam de pé, embora a Casa Branca não tenha emitido nenhuma declaração de apoio.

"Foi simplesmente um sinal de respeito", disse uma autoridade dos EUA.

Annan foi à assembléia para falar sobre um relatório independente, elaborado por 16 líderes atuais e do passado, além de diplomatas importantes, sobre a reforma da ONU.

O relatório, de 95 páginas, possui 101 propostas. Entre elas estão novos critérios para a intervenção militar e instruções para combater a pobreza, a Aids, levantes sociais, a proliferação nuclear, o terrorismo e o crime organizado.

O documento fez críticas a entidades ligadas à ONU, desde o Conselho de Segurança até a Comissão de Direitos Humanos, e sugeriu que o órgão aposente boa parte de sua equipe, que já está envelhecendo.

Annan ressaltou sua proposta para a criação de uma diretoria de segurança, que ainda não foi aceita pela assembléia. Ele já pediu uma verba extra de 97 milhões de dólares para a segurança, que incluiria a criação de 778 novos postos em todo o mundo.

"Os fatos recentes nos ensinaram, da maneira mais dolorosa que se pode imaginar, o quão necessário isso é -- e a investigação rigorosa mostrou que as perdas que sofremos se devem em grande parte a falhas em nosso sistema de segurança", disse ele, referindo-se aos ataques de agosto de 2003 em Bagdá, que mataram o enviado especial da ONU ao Iraque, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello.

A entidade precisa tomar providências sobre as reformas ou então aceitar a possibilidade de "uma escalada futura da proliferação nuclear" ou de genocídios, disse Annan. "Vamos de novo nos resignar a assistir passivamente, até que seja tarde demais?"

Tags:
Edições digital e impressa