Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Assassino de freira acusa político do PT

Por essa nem o presidente da República esperava. Enquanto Lula fazia um discurso acirrado nesta segunda-feira, em seu programa de rádio, contra os assassinos da freira Dorothy Stang, o delegado que acompanha o caso dizia, no Pará, que o assassino preso apontou o ex-vice-prefeito de Anapu, Francisco de Assis, do PT, como mandante do crime. (Leia Mais)

Segunda, 21 de Fevereiro de 2005 às 09:56, por: CdB

Por essa nem o presidente da República esperava. Enquanto Lula fazia um discurso acirrado nesta segunda-feira, em seu programa de rádio, contra os assassinos da freira Dorothy Stang, o delegado que acompanha o caso dizia, no Pará, que o assassino preso apontou o ex-vice-prefeito de Anapu, Francisco de Assis, do PT, como mandante do crime.

Rayfran das Neves Sales, principal acusado de matar a freira, chegou nesta segunda-feira a Altamira, onde prestará depoimento sobre o caso.O delegado-geral Luís Fernandes confirmou que Rayfran confessou o crime, mas disse que ele negou ter sido contratado pelo fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, um dos investigados pela morte, para assassinar Dorothy.

Rayfran teria dito que o mandante do crime é o presidente do Sindicato Rural de Anapu, Francisco de Assis de Souza, o Chiquinho, ex-vice prefeito da cidade, filiado ao PT e considerado um dos principais aliados de Dorothy.

A polícia afirma, com base em depoimentos de testemunhas do crime, que Rayfran das Neves Sales foi o responsável por efetuar a maioria dos disparos que mataram a freira. Como ainda não tem provas de participação do político petista no caso, a polícia continua em busca de Vitalmiro Moura, o Bida, ainda suspeito de encomendar o crime, e do pistoleiro Uilquelano de Souza Pinto, o Eduardo.

Prisão

Rayfran foi trazido de Anapu por um helicóptero do Exército, sob um forte escolta. Ele foi preso domingo à noite a 35 quilômetros da sede do município de Anapu, no Pará. A prisão foi efetuada pela Polícia Civil do Pará, em conjunto com uma patrulha do Exército. Rayfran, de 28 anos, estava desarmado, numa barraca de náilon montada à beira da rodovia Transamazônica. Segundo a polícia, ele não resistiu à prisão.

O suspeito de ter intermediado o crime, Amair Feijoli da Cunha, o Tato, já havia se entregado no sábado no Pará. A polícia chegou a Rayfran depois de ele ter sido identificado por uma pessoa que passava pela Transamazônica e o reconheceu após ter visto o seu retrato falado.

Amair Feijoli, o Tato, foi indiciado domingo nos dois inquéritos abertos pela polícia para apurar o assassinato da missionária americana, executada no último dia 12 em Anapu, no oeste do Pará. Ele foi indiciado tanto pela Polícia Civil quanto pela Polícia Federal por homicídio qualificado.

Em depoimentos prestados domingo, o lavrador voltou a negar qualquer participação no crime. Apesar disso, o delegado Waldir Freire, da Polícia Civil, disse ter juntado elementos que ajudam a reforçar a suspeita de que Tato atuou como intermediário do crime:

- Nós chegamos à conclusão de que há uma íntima relação entre ele (Tato), Bida, Rayfran e Eduardo.

Para o delegado, Tato mentiu e caiu em contradição:

- Ele disse que não conversou com a irmã Dorothy, mas nós temos depoimentos de várias testemunhas que dizem ter visto ele discutir e até dizer várias palavras de baixo calão contra ela no dia do crime. Se ele está mentindo nesses detalhes pequenos, ele está mentindo o tempo todo.

A Polícia acredita que Tato tenha recebido ajuda de terceiros para fugir, embora ele afirme ter fugido sozinho, andando pela floresta.

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