Segundo os laudos médicos assinados até agora, o jovem R.A.A.C., o Champinha, que cumpre medida socioeducativa na Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem) pelo assassinato do casal Liana Friedenbach e Felipe Caffé, tem condições de voltar à vida em sociedade. Os laudos emitidos até aqui confirmam que Champinha não tem desvio de conduta, é um sujeito camaleônico, influenciável pelo meio e capaz de estudar até a 8ª série.
A Promotoria de Infância e Juventude requereu a realização de exames pela sexta vez na semana passada, na tentativa de impedir que o jovem, hoje com 19 anos, seja solto ainda este ano.
- Fizemos um trabalho no extremo capricho - disse o professor universitário Breno Montari Ramos, 59 anos, psiquiatra forense do sistema prisional, membro do Conselho Penitenciário do Estado.
O resultado dos exames define Champinha como portador de retardo mental leve, o que significa que é o rapaz é capaz de ser treinado e pode até conseguir concluir os estudos no ensino fundamental.
Segundo o psiquiatra, Champinha consegue fazer contas de somar contando nos dedos, mas não desenvolveu o raciocínio abstrato para fazer contas de multiplicar. Para Ramos, Champinha é também um criminoso classificado como mesoformo porque é influenciado pelo ambiente. O psiquiatra diz ainda que Champinha não foi classificado como portador de Transtorno de Conduta, diagnóstico de muitos dos internos da Febem.