Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Assassino de Artur Sendas é condenado a 18 anos

Quarta, 24 de Junho de 2009 às 07:42, por: CdB

Em julgamento que se estendeu até o fim da noite de terça-feira, o 1º Tribunal do Júri do Rio condenou, o motorista Roberto Costa Junior a 18 anos e 4 meses de prisão em regime fechado pela morte do empresário Arthur Sendas, em 20 de outubro do ano passado.

Os jurados - quatro mulheres e três homens - consideraram o réu culpado pela prática de homicídio duplamente qualificado - por motivo fútil e com recurso que dificultou a defesa da vítima. Roberto foi condenado ainda a 2 anos de reclusão em regime inicialmente aberto por porte ilegal de arma.

A sentença foi lida pelo juiz Fábio Uchoa, titular do 1º Tribunal do Júri, às 23h30n, nove horas após o início do julgamento, que foi acompanhado por um plenário lotado por familiares e amigos do empresário e do réu.

De acordo com a promotora Patrícia Glioche, o motorista praticou um crime covarde e à traição pela simples suspeita de que seria demitido por Arthur Sendas.

– Nos aterroriza essa futilidade. Só uma pessoa que fosse da inteira confiança da família poderia entrar naquela casa. O que houve foi uma grande traição – afirmou.

O advogado José Maurício Neville, que sustentou a defesa do motorista, anunciou em plenário que irá recorrer da sentença, pois, no seu entender, o júri votou contrariamente às provas contidas no processo.

Durante os debates, ele chegou a pedir aos jurados que desclassificassem o crime para homicídio culposo - quando não há a intenção de matar.

Ao longo do julgamento, que começou às 14h30, no plenário do 3º Tribunal do Júri - o 1º Tribunal está em obras - foram ouvidas quatro testemunhas de acusação. A principal delas, a empregada da casa que abriu a porta para Júnior e esteve com Sendas segundos antes do tiro, afirmou que não houve discussão entre o empresário e o réu.

A primeira pessoa a ser ouvida, na condição de informante, foi a viúva de Sendas, Maria Ablen Sendas. Ela contou que no dia do assassinato os dois chegaram em casa, no Leblon, por volta das 21 horas. Mais ou menos à meia noite, ela desligou a TV e Sendas deitou-se para ler.

Foi quando a empregada da casa, Claudia, interfonou da cozinha para o quarto do patrão, dizendo que Junior estava na porta, querendo falar com ele. Sendas disse que falaria pelo interfone, mas Roberto insistia, dizendo que precisava falar pessoalmente, pois seu pai havia sofrido um acidente.

– Meu marido então foi atendê-lo na área de serviço e pouco tempo depois eu ouvi um estampido, mas não sabia que se tratava de um tiro. Como ele demorava para voltar para o quarto, fui procurá-lo e vi que a cozinha estava vazia. Foi quando a Cláudia apareceu, chorando, dizendo que Arthur estava baleado e que precisávamos chamar uma ambulância – contou.

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