Rio de Janeiro, 03 de Novembro de 2026

Assassinatos de jornalistas batem recorde

A organização não governamental (ONG) Repórteres Sem Fronteira, com sede em Paris, em comunicado mundial distribuído nesta quarta-feira, mostra que o ano passado foi difícil para os jornalistas. Ao todo, 86 foram mortos, o que significa um aumento de 244 % em cinco anos. O Iraque, a Somália e o Paquistão são os países mais perigosos pra estes profissionais. Nas contas do RSF, mais de dois jornalistas foram presos por dia e um número superior a 2,6 mil sites e blogs na internet foram censurados ao longo do ano. Nunca se matou tantos jornalistas quanto no Iraque ocupado

Quarta, 02 de Janeiro de 2008 às 10:41, por: CdB

A organização não governamental (ONG) Repórteres Sem Fronteira, com sede em Paris, em comunicado mundial distribuído nesta quarta-feira, mostra que o ano passado foi difícil para os jornalistas. Ao todo, 86 foram mortos, o que significa um aumento de 244 % em cinco anos. O Iraque, a Somália e o Paquistão são os países mais perigosos pra estes profissionais. Nas contas do RSF, mais de dois jornalistas foram presos por dia e um número superior a 2,6 mil sites e blogs na internet foram censurados ao longo do ano.

Nas cifras da organização, voltada para a preservação da liberdade de imprensa, além dos jornalistas mortos, 20 colaboradores de meios de comunicação também perderam a vida, 887 foram detidos, 1511 agredidos ou ameaçados, 528 jornais, rádios, TVs e jornais censurados e 67 profissionais foram seqüestrados. Especialmente na web, 37 blogueiros foram detidos, 21 agredidos e 2.676 sites fechados ou suspenso.

Se os números forem comparados com 2006, também houve aumento. No ano retrasado, 85 jornalistas e 32 colaboradores foram mortos, 871 presos, 1.472 agredidos ou ameaçados. Em todo o mundo, 912 veículos de comunicação foram censurados e 56 jornalistas seqüestrados.

- Desde 2002, o número de jornalistas agredidos e mortos tem aumentado constantemente -  disse Robert Ménard, secretário-geral do RSF.

Em apenas cinco anos, esse número passou de 25 a 86 jornalistas mortos no prazo de 12 meses. O ano de 1994, no entanto, ainda guarda o recorde da violência contra jornalistas, com 103 mortos, a metade deles no genocídio ocorrido em Ruanda e outros 20 na Argélia, vítimas da guerra civil. Na Iugoslávia, em 94, foram dez jornalistas mortos. Já no ano passado, o Iraque liderou a estatística macabra, com mais de 40 jornalistas mortos.

- Em nenhum país se matou tantos jornalistas quanto no Iraque. Desde a invasão norte-americana, em março de 2003, mataram ali pelo menos 207 profissionais dos meios de comunicação. Nem na guerra do Vietnam ou no conflito da antiga Iugoslávia, nem sequer nos massacres argelino e ruandês se contaram tantos assassinatos de jornalistas. É absolutamente necessário que as autoridades norte-americanas e iraquianas, que também têm cometido graves violências contra os jornalistas, adotem medidas para tentar deter essas agressões - afirmou Ménard.

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