Rio de Janeiro, 03 de Novembro de 2026

Assassinato de Bhutto levanta onda de violência no Paquistão

Sexta, 28 de Dezembro de 2007 às 09:03, por: CdB

O corpo da ex-premiê Benazir Bhutto, assassinada nesta quinta-feira, após um comício no norte do país, em Rawalpindi (quase fronteira com a China), chegou em sua cidade natal, Garhi Khuda Baksh, ao sul, na manhã desta sexta-feira. O enterro, no mausoléu de sua família - uma das mais ricas do Paquistão - ocorreu em meio a temores de novas ondas de violência. Segundo a imprensa local, as forças de segurança se encontram em estado de alerta. A polícia, porém, foi orientada a evitar qualquer confronto direto com manifestantes. Milhares de pessoas acompanharam o funeral de Bhutto.

O país amanheceu, nesta sexta-feira, ainda estupefato e sob ameaça de uma greve geral. Uma série de protestos varre o Paquistão desde a morte da candidata à Presidência. Ao menos 14 pessoas, nesta quinta-feira, morreram durante os distúrbios. O caixão de Bhutto foi envolto na bandeira de seu partido, o Partido do Povo do Paquistão (PPP), em meio ao desespero de seus partidários.

Benazir Bhutto chegou a ser encaminhada para o hospital, logo após o atentado, embora já tivesse sido diagnosticada a morte cerebral por um dos médicos que a atenderam no local. Ele constatou dois ferimentos de bala, um no pescoço e outro na cabeça, com fraturas na região facial. Durante o comício, e ex-premiê falava justamente sobre os riscos que enfrentava.

- Coloco minha vida em risco pois sinto que o país está em perigo. As pessoas estão preocupadas. Iremos tirar o país dessa crise - disse Bhutto.

Vários protestos violentos se seguiram após a morte da ex-premiê, segundo a imprensa paquistanesa. Bhutto, há 71 dias no país, encontrava-se em plena campanha para as eleições parlamentares marcadas para o dia 8 janeiro. Segundo pesquisas de opinião recentes, ela era a candidata favorita a um novo mandato, após governar o país por duas vezes, entre 1988 e 1990, e entre 1993 e 1996.

O governo de Pervez Musharraf, em nota distribuída ainda na noite desta quinta-feira, assegurou que, apesar do assassinato de Bhutto, está mantido o calendário das eleições parlamentares. A decisão foi tomada em uma reunião urgente presidida pelo primeiro-ministro interino Mohammamian Soomro.

- O governo usará todos os meios para acabar com essa conspiração contra o Paquistão - disse Soomro em discurso à nação. O primeiro-ministro pediu aos paquistaneses que mantenham a calma. Para ele, a instabilidade poderia dificultar a investigação e beneficiar os responsáveis pelo ataque.

A decisão, no entanto, desagradou o também ex-premiê e líder oposicionista Nawaz Sharif. Ele afirmou que seu partido irá boicotar as eleições. Segundo afirmou, logo após o discurso de Soomro, se o governo insistir em manter o calendário eleitoral, o "país vai se destroçar".

- Se as eleições forem mantidas, entraremos em um caminho de autodestruição - previu.

Sharif reiterou que exige a renúncia imediata do ditador paquistanês Pervez Musharraf. Para ele, o assassinato de Bhutto é "prova" de que as eleições não serão conduzidas de forma transparente.

- Musharraf tem que renunciar. Esta é a demanda número um da nação hoje. E eu posso ver que a população quer que isto aconteça o mais rápido possível, sem nenhum adiamento - exigiu o opositor do atual regime.

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