Com as duas mais recentes ações contra unidades bancárias ocorridas no Ceará na última segunda-feira, já são 15 casos envolvendo bancos este ano no Estado, contra nove em todo o ano de 2002, indicando o aumento de 66%. Apesar de estar longe do índice de assaltos de 1996 até 2001, 279 ao todo, com média de 34 em cada um desses anos, o crescimento em 2003 acende o sinal vermelho na área de segurança no Estado para esse tipo de crime.
Segundo o delegado Francisco Alves de Paula, titular da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), o aumento dos assaltos a unidades bancárias no Ceará em relação ao ano anterior é visto como natural. "Tudo na vida oscila, dependendo dos fatores que possam contribuir para isso".
Alves não entra em detalhes sobre que fatores possam estar contribuindo para o aumento dos assaltos, mas policiais que atuam na DRF, e que pedem para não ser identificados, afirmam que a delegacia enfrenta uma crise estrutural por conta dos cortes de custeio determinados pelo governo do Estado.
As dificuldades estruturais enfrentadas pelos policiais da DRF iriam do simples cancelamento do provedor de internet a carros sem condições ideais de uso. Dos nove veículos disponíveis hoje na DRF, dois estão parados com defeito e cinco apresentam problemas na suspensão ou encontram-se com pneus velhos e "carecas".
Outro problema é com relação aos telefones. Os policiais que estão em operação, por exemplo, não podem ligar para a delegacia porque os aparelhos não recebem ligação a cobrar. Além disso, nenhum dos telefones faz ligação para fora do Estado. No caso de ser preciso ligar, o único disponível é o celular do delegado, mesmo assim, com uma série de restrições.
Francisco Alves de Paula não nega que a DRF enfrenta problemas, mas ele prefere não falar sobre o assunto. "Estou há 22 anos na Polícia e sempre trabalhei com dificuldades. Temos que saber lidar com isso", afirma. O delegado reconhece, porém, que a situação prejudica o trabalho de investigação e desmotiva o pessoal.
O superintendente da Polícia Civil, Napoleão Timbó, também reconhece as dificuldades, mas declara que o governo atual foi o que mais se preocupou com a questão da segurança desde 1979, quando ele entrou na Polícia. Timbó faz questão de exaltar a figura do secretário da Segurança Pública e Defesa Social, Wilson Nascimento, como "um homem muito bem informado e sabedor do que está acontecendo", mas ressalta que o Estado enfrenta problemas.
Timbó afirma também, que apesar de tudo, "estamos trabalhando e fazendo o melhor pela segurança no Ceará". O Superintendente cita, por exemplo, a apreensão de cerca de 400 quilos de maconha em sua gestão, como um feito a ser comemorado. "A coisa está andando. Além disso, contamos com a colaboração da Polícia Federal, da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. Trabalhamos em conjunto".