Assad diz que renunciar agora seria fugir "em meio à tempestade"
Bashar al Assad declara ao jornal argentino "Clarín" que não usou armas químicas, e que países ocidentais "mentem e forjam" para provocar guerras. E mostra-se cético com a conferência internacional marcada para junho.
Bashar al Assad declara ao jornal argentino "Clarín" que não usou armas químicas
Bashar al Assad declara ao jornal argentino "Clarín" que não usou armas químicas, e que países ocidentais "mentem e forjam" para provocar guerras. E mostra-se cético com a conferência internacional marcada para junho.
Em entrevista ao jornal argentino Clarín, publicada no domingo, o presidente sírio, Bashar al Assad, afirmou que não vai renunciar, apesar da guerra civil instalada há mais de dois anos no país. Quanto à sua permanência no cargo, cabe à população síria decidir: "É um assunto que depende da Constituição e das urnas. Nas eleições de 2014, o povo decidirá", afirmou. "É inadmissível que alguém diga que o presidente tem que deixar o governo porque os Estados Unidos querem, ou porque os terroristas pediram."
Além disso, há outro aspecto que o impede de renunciar, ressaltou Assad: "O país está em crise e quando o barco se encontra no meio da tempestade, renunciar é fugir. Por isso o capitão não foge. A primeira coisa a ser feita é recolocar o barco no rumo correto, e então as coisas se decidem".
Tropas leais ao governo e rebeldes armados enfrentam-se desde março de 2011 numa guerra que, segundo a ONU, já matou mais de 70 mil pessoas, deixou muitos milhares de feridos e espalhou refugiados pelos países vizinhos.
Armas químicas
Assad ainda voltou a negar que tenha usado armas químicas em áreas residenciais, conforme as recentes acusações da França, do Reino Unido e dos Estados Unidos. "O uso de armas químicas em áreas residenciais significa matar milhares, ou dezenas de milhares, em poucos minutos. Quem poderia ocultar tal coisa?", defendeu-se o presidente.
No entanto, ele afirmou ao jornal argentino acreditar que a questão das armas químicas seja o prelúdio de uma guerra contra a Síria: "Não nos esquecemos do que aconteceu no Iraque. Onde estão as armas de destruição em massa de Saddam Hussein?". "O Ocidente mente e frauda para desencadear guerras, como de costume", concluiu o líder sírio.
O presidente dos EUA, Barack Obama, tem declarado que o uso de armas químicas na Síria seria uma "linha vermelha", uma fronteira que, caso ultrapassada, justificaria uma ação norte-americana no conflito sírio. Segundo o secretário de Estado John Kerry, seu país dispõe de "provas concretas" do uso de armas químicas por parte do governo Assad.
A subsecretária norte-americana de Estado para Relações Políticas, Wendy Sherman, declarou na última quarta-feira que armas químicas foram usadas "em pequenas quantidades" pelo menos duas vezes.
Ceticismo sobre conferência de paz
Grupos insurgentes e representantes de Damasco participarão de uma conferência internacional, planejada pelos Estados Unidos e a Rússia para o início de junho, a fim de debater uma saída política para a guerra na Síria.
Os esforços pelo fim dos conflitos, no entanto, esbarram nas discussões sobre a entrega de armas por parte da Rússia, aliada de Assad, ao governo em Damasco. Na opinião de Washington, a entrega de armas é infeliz e pode prolongar o sofrimento do povo sírio.
O ministro alemão do Exterior, Guido Westerwelle, também já se mostrou bastante cético em relação a eventuais resultados positivos do encontro. A França já se posicionou contra a participação do Irã, aliado da Síria, no encontro.
Assad comentou ao Clarín: "Não acreditamos que muitos países ocidentais queiram efetivamente uma solução para o conflito na Síria". Além disso, haveria confusão no mundo "entre solução política e terrorismo". "Eles pensam que uma conferência política vai deter os terroristas no país. Isso não é realista." O líder sírio concluiu: "Não pode haver uma solução unilateral na Síria, são necessárias pelo menos duas partes".
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