O presidente da Síria, Bashar al-Assad, disse nesta segunda-feira num congresso do Partido Baath para ignorar a pressão estrangeira na elaboração de reformas que, segundo ele, devem se concentrar na melhoria da economia e no combate à corrupção.
Mas Assad não apresentou iniciativas em seu discurso na sessão de abertura do primeiro grande congresso do Baath em cinco anos e deixou claro que o partido que governa a Síria há quatro décadas não está disposto a ceder o poder.
Autoridades disseram que Assad não pretende evitar debates nos três dias de congresso e que já foram tomadas decisões.
- A situação econômica é uma prioridade para todos nós para melhorar o desempenho e a vida dos nossos cidadãos. A corrupção também - disse Assad, que presidiu pela primeira vez o congresso do Baath desde que assumiu o cargo no lugar do seu pai, Hafez al-Assada, em 2000.
Assad, de 39anos, pediu "mecanismos mais firmes e eficientes" para combater a corrupção, que críticos afirmam ter atingido a maioria dos níveis do governo sírio e da economia dominada pelo Estado.
O presidente disse aos 1.231 membros do congresso para rejeitar "quaisquer considerações com o objetivo de nos levar a direções que contradizem nossos interesses nacionais ou infrinjam nossa estabilidade".
A Síria, forçada neste ano a ceder à exigência da ONU de retirar suas tropas do Líbano, sofre também pressão dos Estados Unidos e da Europa para fazer reformas políticas e econômicas, principalmente desde a guerra liderada pelos norte-americanos no Iraque.
Assad disse que mudanças políticas com inspiração estrangeira criaram processos ambíguos e perturbadores para os árabes.
- As forças por trás destes eventos...simplesmente querem nos tornar uma massa negativa que absorve tudo o que vem delas sem vontade ou capacidade de considerar rejeição ou aceitação."
Assad disse que o partido "deve se abrir para outras forças nacionais", em aparente referência a um plano para aceitar a criação de partidos de oposição. Ele afirmou que o Baath manterá seu "papel de liderança".
Analistas dizem que partidos com base religiosa ou étnica não serão legalizados.
O Baath governa por meio da Frente Nacional Progressista, que tem maioria no Parlamento. A Síria não tem legislação partidária.
Assad libertou centenas de prisioneiros políticos depois que assumiu o cargo, mas as medidas de maior liberdade política foram interrompidas. A Síria está sob estado de emergência há 40 anos e não há jornais independentes.
Quando Assad anunciou o congresso, em março, ele disse que daria mais espaço para reformas, mas a maioria dos sírios concorda que elas não vão produzir uma solução mágica para os problemas do país.