Os ministros das Relações Exteriores dos quatro países que pleiteiam vagas no Conselho de Segurança da ONU pretendem se reunir em Bruxelas para planejar uma estratégia para uma votação que foi adiada na Assembléia Geral do organismo internacional, disseram diplomatas na segunda-feira.
Os quatro países -- Brasil, Japão, Alemanha e Índia -- vão se reunir ao mesmo tempo em que acontece uma conferência internacional sobre o Iraque, na quarta-feira. Os quatro devem discutir a resolução de sua autoria, que foi parar na Assembléia Geral da ONU, para aumentar o CS de 15 para 24 membros. Os Estados Unidos promoveram uma campanha de última hora contra a resolução.
O embaixador do Brasil na ONU, Ronaldo Mota Sardenberg, disse a jornalistas que a votação será marcada depois de uma cúpula de 53 países da União Africana na Líbia, que termina em 5 de julho.
Brasil, Japão, Alemanha e Índia, conhecidos como o Grupo dos 4 (ou G4), criaram uma resolução que pede por mais seis vagas permanentes, incluindo duas para a África, e a criação de seis assentos não-permanentes. O grupo também propôs adiar qualquer direito a veto por 15 anos.
Sardenberg disse que as nações africanas haviam requisitado o adiamento. O G4 queria que a votação fosse realizada na próxima semana.
Há uma disputa entre a África do Sul, a Nigéria e o Egito pelas duas vagas africanas. E em encontros prévios, a UA reivindicou um número maior de vagas não permanentes.
O plano do G4 é o único com força nesse momento, mas o quórum para adoção é alto -- dois terços de todos os 191 membros da Assembléia Geral.
Atualmente o CS tem 15 membros, cinco deles permanentes e com poder de veto -- os EUA, a Grã-Bretanha, a França, a Rússia e a China -- e 10 nações com mandatos de dois anos.
Os EUA pretendem apresentar sua posição nas Nações Unidas pela primeira vez em uma reunião a portas fechadas na terça-feira.
Mas anteriormente, Nicholas Burns, o subsecretário de Estado dos EUA, disse na semana passada que Washington queria mais dois membros permanentes e dois ou três membros não-permanentes. Isso representaria metade do número proposto pelo G4.
E Burns deixou claro que a questão da ampliação do CS poderia esperar e não deveria obscurecer outras propostas de reforma.
Os EUA apóiam abertamente uma vaga para o Japão, mas não apoiaram uma resolução que tornasse isso possível. O país se opõe a uma vaga para a Alemanha.