Rio de Janeiro, 16 de Outubro de 2026

Asilo político para Battisti ?

Quinta, 16 de Outubro de 2008 às 14:16, por: CdB

A decisão da Comitê Nacional para Refugiados quanto ao pedido de asilo do italiano Cesare Battisti, ameaçado de extradição para a Itália, onde foi condenado à prisão perpétua, deveria sair nesta quinta-feira. Battisti foi preso no Rio de Janeiro, com a ajuda de policiais franceses, e é acusado de ter cometido crimes políticos nos anos 70, na Itália.

Vivendo foragido, depois de ter escapado da prisão na Itália, Battisti chegou à França, a pè, foi viver no México, onde se tornou escritor de romances policiais, e retornou à França, onde se acreditava em segurança, pois o ex-presidente Mitterrand tinha decidido dar asilo a todos os italianos envolvidos nos atentados da Brigada Vermelha e outros grupos de extrema-esquerda.

Em 2004, o sucessor de Mitterrand, Jacques Chirac, recebeu um pedido de extradição da Itália e Cesare Battisti fugiu da França para o Brasil, quando a extradição ia ser concedida, abandonando seu emprego de zelador de prédio em Paris. Em 2007, em plena campanha eleitoral francesa, a polícia francesa localizou Battisti no Rio de Janeiro que foi preso com a ajuda da polícia brasileira, obedecendo mandado internacional de prisão expedido pela Itália e França. 

Na prisão, desde março de 2007, Cesare Battisti pediu asilo no Brasil e aguarda decisão do STF quanto à demenda italiana de sua extradição. 

Quase na mesma situação de Battisti, foi agraciada pelo presidente francês Sarkozy a ex-brigadista Marina Petrella, que tinha refeito sua vida na França, mas que presa para ser extraditada, tinha se condenado a morrer praticando, na prisão greve de fome, por estar separada de suas duas filhas adolescentes.

A não extradição de Marina Petrella poderá inspirar também o Conare a não extraditar Cesare Battisti, que nega os crimes de que é acusado e que refez sua vida, mesmo porque os crimes invocados ocorreram há trinta anos. Além disso, o Brasil só poderá extraditar Battisti se os crimes de que é acusado forem comuns, ora não é esse o caso.

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